23/06/2022 às 15h39min - Atualizada em 24/06/2022 às 00h01min

Novas tecnologias inovam o tratamento para hiperplasia benigna da próstata

Urolíft oferece aos pacientes 80% de chances de manter a ejaculação; em tratamentos convencionais, o máximo é de 30%

SALA DA NOTÍCIA THAIS BARION
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Com o desenvolvimento tecnológico na área médica surgem novas formas de tratamento para diversas doenças ou condições, inclusive na área urológica. A hiperplasia benigna da próstata é uma condição de aumento da próstata masculina, parte do envelhecimento natural que atinge 7 a cada 10 homens, a partir dos 40 anos. Com o crescimento, o canal da uretra começa a se estreitar e gerar desconfortos.

O urologista e oncologista do Hospital Alemão Oswaldo Cruz, Bruno Benigno, aponta que o tratamento começa na prevenção e nas formas com que o homem pode evitar que a próstata cresça rapidamente. Um dos quadros que acelera o processo é a síndrome metabólica, por isso a mudança de estilo de vida é tão importante. Pouco diagnosticado, a síndrome tem como sintomas a obesidade, apneia do sono, diabetes, pressão alta e impotência sexual.

Portanto, segundo o médico, para tratar a hiperplasia benigna da próstata existem 3 estratégias: mudança do estilo de vida, uso de medicamentos e a realização da cirurgia. A última opção consiste na desobstrução do canal entupido ou estreito da próstata, procedimento conhecido como a RTU (Ressecção Transuretral).

Para próstatas que saem dos 30g de normalidade e aumentam até 100g, o médico introduz uma microcâmera pela uretra do paciente, e raspa a próstata com um tipo de bisturi para alargar o canal. Já para próstatas maiores que 100g é necessário a cirurgia para remoção de parte da próstata. No passado existiam apenas essas duas formas de cirurgia para tratar o problema, mas agora já surgiram novas alternativas.

 

Urolíft

A grande novidade para o tratamento da hiperplasia benigna da próstata é o Urolíft. O urologista Bruno Benigno explica que ao invés da raspagem é instalado na próstata dos pacientes pequenos implantes parecidos com clipes, que alargam o canal. “Então o homem continua com a próstata grande mas o canal se torna mais amplo, de modo que não atrapalhe o funcionamento da próstata ou da uretra”, explica.

A principal vantagem é que em até 80% dos casos os homens conseguem manter a ejaculação, diferente de outros procedimentos em que as chances variam de 20% a 30%. Outras vantagens são que o paciente sai de alta no mesmo dia e o porte anestésico é menor.

Nos EUA a tecnologia já foi aprovada e está no seu sexto ano de funcionamento. Portanto, dados da literatura médica apontam resultados positivos e a novidade se expande a outros mercados. No Brasil, o procedimento já foi liberado pela Anvisa, mas ainda está em fase de liberação para ser comercializado, com previsão para agosto.

 

Rezum

O tratamento da hiperplasia benigna da próstata pelo Rezum é realizado a partir da introdução de uma câmera na uretra, com uma agulha que injeta na próstata um vapor de água em alta temperatura (102 ºC). O vapor é aplicado em várias áreas da próstata fazendo com que sejam destruídos os tecidos. 

“Da mesma forma que o Urolíft, proporciona maiores chances de manter a ejaculação, porém o tempo de recuperação do paciente é maior. Enquanto no Urolíft o paciente recebe alta no mesmo dia, no Rezum a próstata fica inchada e o paciente precisa usar sonda por um tempo médio de 7 dias”, explica o urologista.

A previsão para aprovação do Rezum pela Anvisa é novembro deste ano, e o início da comercialização para 2023.

 

Green Light Laser

Outro tipo de tratamento inovador, mas já estabelecido no Brasil, é o Green Light Laser. Após seis anos em utilização, agora ganha mais popularidade pela baixa do custo do procedimento, que fica em torno de 8 mil reais a fibra.

Nesse tipo de tratamento também é usada uma microcâmera, que ao invés da raspagem, possui um laser por meio de uma fibra fina, que vaporiza a próstata. A vantagem é a fácil absorção pelo sangue da molécula de hemoglobina vaporizada, fazendo com que a cirurgia ocorra praticamente sem sangramento. Porém, da mesma forma que o RTU, de 70% a 80% dos homens correm o risco de não conseguir mais ejacular após o procedimento.
 

Tratamento tradicional

Independente das novas formas de tratamento, a cirurgia ainda continua sendo uma opção viável e acessível, em termos de recuperação e custo. Enquanto a cirurgia aberta retira uma parte da próstata pelo abdômen, a cirurgia robótica realiza o mesmo procedimento sem grandes cortes na barriga do paciente. 

Diferente de um câncer de próstata, a cirurgia para a hiperplasia não precisa retirar toda a próstata, mas somente a parte interna, garantindo já pela própria natureza do procedimento menores chances do paciente ter incontinência urinária e impotência sexual.

Vale ressaltar que em nenhuma das cirurgias o homem perde a ereção, somente possui as chances de perder a capacidade de ejacular. Portanto, existem hoje mais ferramentas para fornecer tratamentos individualizados para os pacientes, conforme a idade, o tamanho da próstata e o desejo de ejacular.


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