15/06/2021 às 08h54min - Atualizada em 15/06/2021 às 13h30min

Realizações pessoais X saúde emocional

Ana Paula de Andrade Janz Elias (*) 

SALA DA NOTÍCIA NQM
http://www.uninter.com.br
Divulgação
O mundo tem feito avanços consideráveis em diferentes áreas: social, econômica, e tecnológica, por exemplo. Esses avanços são possíveis devido a diferentes criações, conquistas de grupos sociais, tecnologias desenvolvidas, e estudos realizados. E ainda, esses avanços em alguns momentos escondem a desigualdade social em outros momentos evidenciam essas desigualdades, mas esse não é o foco deste texto. 

A intenção aqui é de levar o leitor a refletir sobre as mudanças das relações pessoais e dos objetivos de vida da população como um todo concordando com os avanços inseridos no primeiro parágrafo. Em anos passados as pessoas desejavam estabilidade na carreira, mesmo que o retorno financeiro não fosse o melhor e, desejavam famílias grandes, para perpetuar seus sobrenomes e os costumes dos grupos sociais nos quais estavam inseridos. 

Hoje, a busca tem sido diferente: as pessoas têm focado muito mais em realizações pessoais!
 

Se o trabalho pode oferecer certa estabilidade, mas não uma efetiva conquista pessoal, a troca de empresa é certa. Se o parceiro não tem os mesmos objetivos pessoais e profissionais, o relacionamento acaba. Se o carro ou a casa não atendem as expectativas, são substituídos. Se a faculdade não permitiu momentos de prazer, um novo curso é escolhido. Se a família interfere em algumas escolhas, ela pode ser esquecida. 

Essas trocas, essas possibilidades de lançar-se ao novo são, em diversos momentos, interessantes e necessárias. Dóra Chor, em seu artigo intitulado “Saúde Pública e Mudanças de Comportamento: uma questão contemporânea”, comenta que as mudanças nos hábitos de vida dos indivíduos, e da sociedade como um todo, pode auxiliar na prevenção de doenças. Mas será que essas realizações têm efetivamente preenchido a vida das pessoas de maneira que em algum momento elas não precisem mais fazer novas escolhas? Por que o ser humano tem o anseio por novas realizações?
 

Fazer algo novo, substituir o velho, ter a ousadia de trocar o que está incomodando é bom. Mas isso pode se aplicar a todas as esferas da vida dos seres humanos? O leitor pode estar respondendo de maneira afirmativa a essa última pergunta, mas aqui surge uma nova reflexão: se isso é verdadeiro, por que existe a cada novo dia mais e mais pessoas se isolando e tirando a própria vida?  A Organização Mundial da Saúde (OMS) afirma que a cada 40 segundos uma pessoa morre por suicídio no mundo. 

Ao pensar somente nas realizações pessoais, muitas vezes a resiliência não é considerada e muito menos alcançada. É certo que algumas frustações fazem parte da construção do ser humano e do seu desenvolvimento emocional e é preciso aprender a lidar com elas.  

A realização momentânea nem sempre levará o indivíduo a uma efetiva realização de vida! Por que não persistir? Por que não consertar? Por que não investir?  

Realizações pessoais vão além das circunstâncias, muitas vezes elas transcendem o tempo e até mesmo gerações. Vale refletir sobre as escolhas que são feitas diariamente e a reflexão deve considerar o passado e especialmente o futuro, tanto profissional como pessoal.  

Certamente as realizações pessoais podem contribuir para a saúde emocional dos indivíduos e, isso é o ideal! Mas nem sempre essa relação acontece efetivamente, não é mesmo? 

Para você é possível afirmar que suas conquistas e o percurso de vida que você tem percorrido têm efetivamente preenchido você? Se sim, parabéns, você está no percurso correto! Se não, que tal buscar quais decisões escolher, até mesmo com a ajuda de um profissional? 

Ao compreender que as mudanças e a busca pelo novo nem sempre é algo que leve o indivíduo a uma realização efetiva, se você tem procurado constantemente por algo diferente em sua vida e percebe que a frustação ainda faz parte dela, considerar a ajuda de um psicólogo para conhecer a você mesmo pode auxiliá-lo(a). A busca por essa ajuda pode começar por meio do acesso ao site do Conselho Regional de Psicologia de seu estado. Não hesite. 
 
(*) Ana Paula de Andrade Janz Elias é Mestre em Ensino em Ciências e em Matemática, Doutoranda em Educação e Docente na área de Exatas da Escola Superior de Educação do Centro Universitário Internacional UNINTER 

 
Link
Notícias Relacionadas »
Comentários »
Informações indisponíveis

0