16/06/2021 às 18h36min - Atualizada em 16/06/2021 às 18h36min

Bebê nasce com anticorpos contra a Covid-19 em Criciúma

Os pais Brenda Just e Diego Netto comemoram o resultado do exame que detectou a presença de anticorpos para a doença na bebê de pouco mais de duas semanas

Marcos Antonio - Marcos Imprensa
Foto: Divulgação/Arquivo Pessoal
Catarina Just Netto nasceu no dia 7 de junho de 2021 no Hospital São José (HSJosé), em Criciúma. A bebê, de apenas uma semana de vida, filha da professora Brenda Just e do empresário Diego Netto, moradores do bairro Centro, realizou exame para diagnóstico de anticorpos da Covid-19 quatro dias após nascer. O resultado apontou reagente para IgG. O tipo de anticorpo é encontrado em pessoas que já tiveram contato com o vírus e funcionam como uma possível proteção. É o primeiro caso de nascimento de bebê com anticorpos que se tem conhecimento em Criciúma.


A surpresa para a família veio na última sexta-feira, dia 11. Ao irem visitar a mãe de Brenda, na cidade de Jacinto Machado, os pais de Catarina aproveitaram para realizar um exame na filha em um laboratório particular (na imagem abaixo, o resultado do teste). “Desde o início da vacinação e quando surgiram as notícias que havia a possibilidade de bebês nascerem com anticorpos eu e meu marido ficamos esperançosos. A gente vinha torcendo para que isso acontecesse com nossa filha e havia a chance, porque nós dois positivamos para Covid-19 ano passado e eu já recebi a primeira dose da vacina, por ser gestante do grupo de risco”, conta a mãe.

Brenda lembra que o resultado foi comemorado pela família. “Estamos vendo bebês contraindo a Covid-19 e até morrendo em alguns casos, gestantes tendo complicações durante a gestação devido à doença e isso tudo nos preocupou também enquanto eu estava grávida. Então é realmente uma benção. Sabemos que devemos manter todos os cuidados, mas nos dá uma maior tranquilidade saber que a nossa filha tem os anticorpos”, relata.


Presença do anticorpo não garante imunidade do bebê, afirma Vigilância Epidemiológica

O caso foi notificado para a Diretoria de Vigilância Epidemiológica de Santa Catarina (Dive/SC) diretamente pelo laboratório, sem passar pela Secretaria de Saúde de Criciúma. Mas, após contato da reportagem do Portal Engeplus, a Vigilância Epidemiológica do município tomou conhecimento do fato
.

Conforme a coordenadora da Vigilância Epidemiológica de Criciúma, Dayana Gorges, a presença de anticorpos no bebê é um processo natural quando a mãe já teve contato com a doença ou recebeu a vacina. “O esperado é que aconteça. Sabemos que os anticorpos passam da mãe para o bebê. Em caso de doenças já conhecidas essa proteção é por um período curto. É o motivo das crianças receberem diferentes vacinas depois de nascer. A Covid-19 é algo novo. Não conseguimos ainda confirmar se uma criança com IgG positivo tem imunidade por longa data ou período curto e nem o tamanho dessa proteção, se é 100%, 90% ou menos. Afirmar isso é um equívoco. A orientação é sempre permanecer com os cuidados”, explica. 

O caso de Catarina não é o primeiro na região. Em Tubarão, o menino Enrico também foi diagnosticado com anticorpos quando tinha 40 dias de vida, conforme matéria publicada no portal Sul Agora. “Em Criciúma a gente ainda não tinha conhecimento de um caso como este. É o primeiro que ficamos sabendo. Tínhamos conhecimento do apenas do caso de Tubarão”, confirma Dayana.

A coordenadora lembra que a testagem de bebês recém-nascidos não faz parte das recomendações presentes nas normas técnicas do Ministério da Saúde no controle da pandemia. “E o exame de anticorpos não é o mais adequado, porque não dá para afirmar se a criança teve a doença ou não. O teste deve ser somente por recomendação médica caso o bebê tenha algum sintoma ou a mãe esteja positivada, por exemplo. Ou até mesmo se ela estiver com anticorpo IgM, porque daí a investigação é outra, focada em confirmar se a criança está contaminada e isso necessita de outros exames, como antígeno e PCR”, pontua.

Secretário defende a vacinação de gestantes
O Secretário de Saúde de Criciúma, Acélio Casagrande, diz acreditar na imunização de bebês com a vacinação de gestantes e lactantes (mães que estão amamentando). Hoje a imunização de mulheres grávidas acontece apenas para as que possuem comorbidades.

“Existem estudos sendo feitos pelo mundo sobre o assunto. Por isso, temos apoiado e estamos buscando a vacina para lactantes e todas as gestantes. É fundamental, porque você tem a possibilidade de imunizar duas pessoas com a vacina. Estamos tentando aprovar esta mudança no PNI (Plano Nacional de Imunização)”, diz o secretário.

 
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