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MEC discute novas formas de avaliar ensino superior

O Ministério da EducaĆ§Ć£o (MEC) discute novas formas de avaliar o ensino superior, e pretende reformular as regras para melhorar a qualidade dos cursos de graduaĆ§Ć£o no

Por Marcos Antonio em 21/10/2020 às 02:37:24

O Ministério da EducaĆ§Ć£o (MEC) discute novas formas de avaliar o ensino superior, e pretende reformular as regras para melhorar a qualidade dos cursos de graduaĆ§Ć£o no país, informou hoje (20) o presidente do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep), Alexandre Lopes, ao anunciar os resultados de indicadores que medem a qualidade do ensino superior.

Segundo Lopes, uma revisĆ£o do Sistema Nacional de AvaliaĆ§Ć£o da EducaĆ§Ć£o Superior (Sinaes) estĆ” sendo debatida internamente e junto a fóruns como o Conselho Nacional de EducaĆ§Ć£o (CNE). “A lei do Sinaes é de 2004. Acho que é o momento da gente reavaliar nosso processo avaliativo, nosso processo regulatório. Isso vai ser feito junto com as instituiƧƵes de ensino superior públicas e privadas”.

A reformulaĆ§Ć£o do marco normativo estĆ” sendo discutida internamente, de acordo com o presidente do Inep, e posteriormente serĆ” debatida com os demais representantes do setor.

O ministro da EducaĆ§Ć£o, Milton Ribeiro, ressaltou que o papel da pasta é melhorar a qualidade do ensino superior. “EstĆ” na hora de pararmos um pouco e pensarmos na qualidade. Impossível os valores do orƧamento do MEC e a qualidade que temos na educaĆ§Ć£o brasileira. Nós precisamos tomar uma atitude”, disse, acrescentado que “precisamos focar na qualidade. Acho que nĆ£o podemos mais pensar em quantidade de uma maneira desequilibrada. Precisamos focar na qualidade”.

Conceito Enade

Os resultados do conceito Enade, calculado a partir do Exame Nacional de Desempenho de Estudantes (Enade), feito por estudantes que estĆ£o concluindo os cursos superiores, e do Indicador de DiferenƧa entre os Desempenhos Observado e Esperado (IDD), mostram que os cursos das universidades federais tiveram melhores desempenhos que os das instituiƧƵes privadas, que é onde estĆ” matriculada a maior parte dos estudantes avaliados.

“Essa semana, nós tomamos algumas decisƵes que, de maneira muito direta, podem parecer nĆ£o tĆ£o simpĆ”ticas à educaĆ§Ć£o, [como a] suspensĆ£o de vestibular. Esse vai ser o ritmo que queremos dar ao MEC, de assumir mesmo uma posiĆ§Ć£o na avaliaĆ§Ć£o da educaĆ§Ć£o superior. Eu nĆ£o tenho, e a nossa equipe [também] nĆ£o, receio de fazer o que for preciso para suspender, credenciar ou descredenciar instituiƧƵes. Queremos focar na qualidade”, defendeu Ribeiro.

AvaliaƧƵes

Além de medir o desempenho dos estudantes, o Inep coleta, por meio de questionĆ”rios, informaƧƵes sobre o perfil desses estudantes, o que, de acordo com a autarquia, precisa ser levado em consideraĆ§Ć£o quando se olha para os resultados dos exames. A maior parte dos alunos de educaĆ§Ć£o à distĆ¢ncia, 55%, por exemplo, trabalha 40 horas por semana, e apenas 12% nĆ£o trabalham. Na educaĆ§Ć£o presencial, as porcentagens se invertem, 52% nĆ£o trabalham. Os resultados dos indicadores mostram que estudantes de cursos presenciais têm melhores resultados que aqueles de ensino à distĆ¢ncia.

Alexandre Lopes explicou que as instituiƧƵes participantes do processo de avaliaĆ§Ć£o têm acesso detalhado do desempenho dos estudantes e a comparaƧƵes com outras instituiƧƵes de ensino com perfil semelhante.

“Uma das principais informaƧƵes que a gente pode dar como indutor da qualidade é essa informaĆ§Ć£o especializada. Essa é a importĆ¢ncia da avaliaĆ§Ć£o externa. Ser uma avaliaĆ§Ć£o nacional permite essa comparabilidade. EntĆ£o, além dos resultados das avaliaƧƵes internas e dos próprios processos avaliativos dos professores, esse tipo de avaliaĆ§Ć£o externa permite a comparaĆ§Ć£o e permite que a instituiĆ§Ć£o reflita sobre isso e procure trabalhar o seu projeto pedagógico”, disse.

Os resultados da avaliaĆ§Ć£o divulgados hoje (20) ainda nĆ£o mostram o impacto da pandemia do novo coronavírus (covid-19) na educaĆ§Ć£o. O Enade, que seria aplicado este ano, de acordo com Lopes, foi adiado para 2021. Somente após esses resultados serĆ” possível medir os níveis de abandono e de aprendizagem no ensino superior em 2020, disse.

O Enade 2019 avaliou os cursos das Ć”reas de ciências agrĆ”rias, ciências da saúde e Ć”reas afins; engenharias e arquitetura e urbanismo; e os cursos superiores de tecnologia nas Ć”reas de ambiente e saúde, produĆ§Ć£o alimentícia, recursos naturais, militar e de seguranƧa. Entraram na avaliaĆ§Ć£o, por exemplo, os cursos de medicina e enfermagem. A cada ano, um conjunto diferente de cursos é avaliado.

Fonte: AgĆŖncia Brasil

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