23/09/2022 às 11h22min - Atualizada em 26/09/2022 às 00h01min

Gamer: profissionais e amadores desenvolvem problemas de saúde

Especialistas falam das consequências de quem passa muito tempo na frente das telas diariamente e o que deve ser feito para cuidar mais da saúde.

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A profissão Gamer tem crescido e muito no Brasil. Na última pesquisa da Brasil Game Show (BSG) eles já eram mais de 67 milhões no país entre profissionais e amadores. Um número grande que levanta preocupações sobre a saúde dessas pessoas que passam mais de oito horas jogando ou interagindo com espectadores em frente a um computador.
Os efeitos na visão e na audição estão entre as preocupações. “A exposição prolongada a luz azul emitida pelas telas pode facilitar o aparecimento da degeneração macular relacionada à idade, em pacientes predispostos geneticamente, e ainda permitir uma evolução mais rápida da catarata. Porém, existem formas de prevenção, filtros de luz azul e lentes que podem prevenir esses efeitos. Além disso, sintomas de ressecamento ocular e dores de cabeça podem acontecer com o uso prolongado. Recomenda-se o uso da tela durante 45 minutos e depois descansa um período para diminuir a acomodação visual, amenizando esses sintomas”, explica o oftalmologista, Daniel Kamlot.
Para audição o sinal de alerta é quanto o uso de fones de ouvido. O otorrinolaringologista, Dr. Matheus Rios, destaca que eles não causam perda auditiva, mas é preciso atenção. “Sons que excedem 80 decibéis podem causar perda auditiva irreversível a longo prazo. Sons que excedem 115dB, intensidade similar ao do disparo de uma arma de fogo, podem causar danos irreversíveis com pouco tempo de exposição, portanto o controle da sua intensidade é a melhor maneira para prevenir essa alteração”, explica.
Outros problemas de saúde podem surgir. Entre eles, transtornos psicológicos e doenças como depressão, ansiedade, irritabilidade, insônia e preocupação mental. “Ao buscar prazer através da internet o cérebro entra em um círculo vicioso de compulsão e ativa o sistema de recompensa, este mesmo sistema que gera compulsão por games e redes sociais pode gerar compulsão para drogas, comida, notícias, compras, jogos de azar e pornografia”, comenta a psiquiatra, Dinah Akerman, ao reforçar que a psicoterapia pode ajudar.
Esse quadro contribui para o tabagismo, má alimentação e falta de exercício físico. O cenário perfeito para o desenvolvimento de outras doenças. “Qualquer pessoa que passar muitas horas por dia sentado vai ter diminuição de massa muscular, encurtamento da cadeia de músculos posteriores das pernas, costas e pescoço, gerando alteração de postura, na coluna e dor. A diminuição de massa muscular vai aumentar o risco de obesidade, diabetes, de hipertensão e, consequentemente, infarto e derrame”, alerta o cardiologista, Leandro Franco.
Alerta reforçado pelo médico do esporte, Lucas Caseri, ao explicar que o sendentarismo é responsável por aproximadamente 20% das mortes em pessoas com alguma doença, gerando um custo anual em saúde de mais de 77 bilhões de dólares. “Incluir atividades físicas (pelo menos 30 minutos ao dia), em que fica sentado mais de 8h por dia, pode reduzir em 30% as causas de mortalidade e influenciar positivamente em mais de 15 marcadores de saúde”, ressalta.
A atividade física é ponto fundamental. A cirurgiã vascular, Letícia Costa, argumenta que ficar muito tempo para também é preocupante. “A panturrilha que é o nosso segundo coração, não faz o bombeamento correto do sangue das pernas de volta ao coração, uma vez que ela não está sendo ativada. A consequência são pernas inchadas, pesadas, cansadas e o risco de desenvolver varizes e até trombose. Associado ao sedentarismo, o risco é ainda maior”, acrescenta.
Por isso, a atividade física fora do horário de trabalho é importante, mas algumas dicas podem ajudar a evitar maiores problemas como levantar e caminhar a cada hora, movimentar as pontas dos pés pra cima e pra baixo e usar meia de compressão.
Para completar o cardiologista, Leandro Franco, ressalta que a melhora na qualidade de vida de que vai beneficiar no próprio trabalho de gamer. “Se fossem fisicamente ativos e se alimentassem melhor, os reflexos, a atenção, foco, concentração e a saúde mental melhorariam consideravelmente, principalmente no caso de partidas mais longas, pois o metabolismo estaria mais ajustado e a eficiência energética do corpo seria melhor”, pontua.
Como está tudo ligado os problemas de saúde não param por aí. Danos ortopédicos também estão presentes por causa do longo período em uma mesma posição. “Tendinites nos cotovelos, punhos e mãos são queixas muito frequente dos gamers, já que os movimento repetitivo necessário para a realização da atividade, sem o devido preparo da musculatura, faz com que ocorra a inflamação e traga dor ou até queda de rendimento nos jogos”, explica ortopedista e traumatologista, Stefano Monteiro.
O especialista ainda ressalta que uma forma de evitar esses sintomas é imaginar que o local de jogo é como um ambiente de trabalho ou um escritório. Deve-se preocupar com a ergonomia ao escolher a posição para se jogar. “Assim como em outras modalidades, os gamers são atletas e precisam de cuidados adequados para terem uma carreira mais longa, saudável e de maior rendimento. Procure um ortopedista para te ajudar a preparar o setup adequado para você”, finaliza.


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