23/09/2022 às 19h18min - Atualizada em 26/09/2022 às 00h07min

Educação do futuro: Digitalização e tecnologia do ensino são as melhores opções?

Durante a pandemia e ensino online, mais de 5 milhões de crianças ficaram sem acesso à educação. Segundo lideranças presentes no Summit Future is Now, evento que trouxe debates relevantes sobre mercados em transformação, é preciso promover uma educação mais inclusiva, justa e democrática no Brasil

SALA DA NOTÍCIA Bianca Priscila Lucas

Celso Doni
 

De acordo com estudo do Unicef (Fundo de Emergência Internacional das Nações Unidas para Infância), intitulado “Enfrentamento da cultura do fracasso escolar”, no ano passado foram cerca de 5,5 milhões de crianças e adolescentes sem acesso à educação. Além disso, 1.38 milhões de alunos, com idades entre 6 e 17 anos, abandonaram a escola durante a pandemia, o que representa 3,8% dos estudantes - taxa é superior à média nacional de 2019, de 2% -. Entre os principais motivos estão: falta de acesso aos recursos tecnológicos e à internet, impossibilitando o acesso às aulas remotas, e, o fato de precisarem contribuir com renda dentro de casa, assumindo novas responsabilidades de emprego, etc.

 

Diante desses dados, o Summit Future is Now, evento idealizado pela empreendedora e presidente do LIDE FUTURO, Laís Macedo, que reuniu mais de 200 lideranças e C-levels de grandes empresas nacionais e multinacionais levantou debates de diversos temas de impacto no mercado e na sociedade, entre eles, o futuro da educação. "Quando usamos esse termo de "educação do futuro", muitos conectam automaticamente a novas tecnologias de aprendizado, digitalização, gamificação, etc. Porém, como podemos pensar em passos como estes se ainda não conseguimos oferecer uma educação não digital que funcione? Acredito que os problemas enfrentados pela pandemia nos demanda rever toda a defasada estrutura do sistema educacional brasileiro." explica Laís Macedo. 

 

Ao contrário do que muito se pensa sobre a aplicação de novas tecnologias nas escolas e instituições de ensino, o debate realizado no Summit Future Is Now volta o olhar a meios de democratizar o acesso à educação de qualidade e melhorar os resultados da educação. Aqui estão alguns valiosos insights sobre a educação do futuro apontados durante os quatro dias do evento.

 

Digitalização não é o único caminho

Um estudo do Instituto Locomotivas e da PwC identificou que 33,9 milhões de pessoas no Brasil estão desconectadas e outras 86,6 milhões não conseguem se conectar todos os dias, tendo, em média, entre 19 e 25 dias de conexão por mês. No geral, juntos esses grupos representam cerca de 65% da população brasileira com mais de 16 anos e são formados principalmente por pessoas negras, que estão nas classes C, D e E, e que são menos escolarizadas.

 

Esses dados mostram que a digitalização da educação ainda não é o melhor caminho para melhorar o acesso e qualidade do ensino no Brasil. Para Ana Fontes, fundadora da Rede Mulher Empreendedora, para que a educação seja propagada pelo país de forma homogênea, é preciso pensar nas particularidades de cada grupo, buscando incluir, capacitar e personalizar a experiência. Pensando nisso, desenvolver soluções tecnológicas e digitais pode ser uma opção para uma parte da população, mas é necessário que sejam desenhados outros caminhos para a parcela que não se adequa a essa realidade. 

 

Aprendizado baseado em especificidades

De acordo com Matheus Tomoto, fundador da Universidade de Intercâmbio, não existe um padrão perfeito para a aprendizagem que funcione 100% para todos os seres humanos. Segundo ele, cada pessoa tem as suas habilidades e dificuldades na vida, e o mesmo se aplica ao aprendizado.  Estudos mostram que existem 5 principais formas de aprender, sendo elas: Escrita/anotações, observação, ação/prática, raciocínio lógico e experiências, e para promover um ensino que seja cada vez mais inclusivo e homogêneo, as instituições precisam levar essas especificidades em conta, traçando estratégias individualizadas mesmo que em um país plural.

 

Investir na preparação para o mercado de trabalho

Uma pesquisa realizada pela Gallup mostra que apenas 11% das lideranças empresariais, ou seja, quem está na ponta do setor produtivo, consideram que a formação acadêmica é adequada para a entrada no mercado de trabalho. Além deste dado, a Educa Insights elaborou uma pesquisa no primeiro trimestre de 2021 que mostra que esses líderes acreditam que mais de 70% das faculdades no Brasil ofertam disciplinas distantes das necessidades do mercado de trabalho. Como esses e muitos outros dados mostram, hoje, as instituições de ensino não têm o foco em preparar os alunos para o mercado, e não se empenham em atualizar os conteúdos para acompanhar as novas tendências e necessidades das empresas. Isso faz com que os próprios estudantes deixem de valorizar as instituições e etapas de aprendizado. 

 

Pensando em oferecer uma experiência melhor para os alunos e melhorar a credibilidade das instituições de ensino, é importante que o foco dos conteúdos educacionais seja voltado para a capacitação real do que o mercado procura.


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