03/06/2020 às 08h53min - Atualizada em 03/06/2020 às 09h15min

Prefeito reclassifica Marília para ‘fase 4’ do Plano São Paulo

Após identificar erro em classificação do Estado, chefe do Executivo municipal, embasado em análise técnica, anunciou flexibilização mais ampla; entre março e abril foram extintos 1.130 postos formais de emprego na cidade.

DINO
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Daniel Alonso - Prefeito Marília/SP

O prefeito Daniel Alonso (PSDB), atendeu a demanda dos setores produtivos de Marília, no interior de São Paulo, e reclassificou o município da ‘fase 2’ para a ‘fase 4’ no plano estadual de flexibilização da quarentena com base em apontamentos técnicos feitos pela Secretaria de Saúde do município e aval de seu Comitê de Enfrentamento à Covid-19.

Na ‘fase 4’ estão autorizados o funcionamento de atividades imobiliárias, concessionárias e escritórios, além da retomada, com restrições, de bares e restaurantes, comércio em geral, shopping centers, salões de beleza e academias. Indústria e construção, setores que não foram fechados, seguem em funcionamento.

A decisão consta em decreto municipal publicado em edição extra do Diário Oficial de Marília na noite desta sexta-feira (29), após o governo municipal identificar um possível erro na classificação regional – já que os municípios próximos de Marília registram os melhores índices do Estado no que diz respeito ao novo coronavírus, segundo dados oficiais.

A medida adotada pelo perfeito Daniel Alonso deve permitir uma reabertura mais ampla de estabelecimentos do que o previsto inicialmente pelo Estado - com os devidos cuidados sanitários - a partir de segunda-feira, dia 1º de junho.

Para se ter dimensão do estrago causado na economia local com o fechamento de lojas e serviços não essenciais, foram extintos 1.130 empregos com carteira assinada somente entre março e abril. Apenas no quarto mês do ano foram 1.989 demissões ante 1.036 contratações na cidade.

Os dados são do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged), que voltou a ser publicado na última semana, após ter sido suspenso desde o começo da pandemia pelo Governo Federal. Os números sobre maio só devem sair no final de junho, mas tudo indica que devem ser ainda piores.

Entre empregos formais e informais, representantes do empresariado mariliense falam em até quase 10 mil demissões no período todo em decorrência das medidas de enfrentamento à pandemia. A informação foi citada durante coletiva de imprensa em que as medidas de Daniel Alonso foram anunciadas.

Classificação

A equipe do governo municipal explica que a região de Marília apresenta índices melhores, como baixa ocupação em leitos reservados e quantidade de casos confirmados para a doença, do que as regionais de saúde de Bauru, Presidente Prudente e Araraquara – classificadas na ‘fase 3’ do Plano São Paulo, com maior possibilidade de flexibilização do que a ‘fase 2’.

“Daniel considerou ter havido um grande erro da equipe técnica do Estado, ao colocar Marília na ‘faixa 2’ do Plano São Paulo, mesma faixa da capital, considerada o epicentro da Covid-19. Estamos corrigindo esse erro para não prejudicar a população de Marília”, disse a gestão municipal.

Para considerar que o município está na ‘fase 4 – verde’ a gestão local utilizou a fórmula de classificação anunciada pelo governo João Doria (PSDB) no decreto estadual e fez suas próprias contas com os números a que tem acesso. Outras regiões, como a da Baixada Santista, também chamaram a atenção sobre erros nos cálculos da equipe do governador.

Os assessores do prefeito Daniel Alonso também identificaram alguns detalhes no decreto estadual que, segundo a interpretação, permitem ao gestor municipal reclassificar sua cidade. O artigo 7º foi citado pela gestão municipal.

 “Os municípios paulistas inseridos nas fases laranja (2), amarela (3) e verde (4), cujas circunstâncias estruturais e epidemiológicas locais assim o permitirem, poderão autorizar, mediante ato fundamentado de seu prefeito, a retomada gradual do atendimento presencial ao público de serviços e atividades não essenciais”, diz o artigo.

Além disso, os vereadores da Marília aprovaram na última semana lei municipal que autoriza uma flexibilização mais ampla do que a anunciada pelo Estado inicialmente.

“Vamos fazer uma flexibilização mais ampla, porém com todos os protocolos de segurança e proteção dos órgãos de saúde. Por isso, precisaremos da total colaboração da população para que, em breve, possamos chegar à ‘fase 5’. Se não houver essa cooperação, teremos que voltar a restringir, retornando para a ‘fase 3’ ou até a ‘fase 2’, caso seja necessário”, comentou Daniel Alonso.



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