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Vacina contra o coronavírus: segunda dose deve ser tomada em 3 ou 12 semanas?

Por Marcos Antonio em 11/01/2021 às 11:37:38
Reino Unido lan√ßou nova estratégia de vacina√ß√£o que chamou aten√ß√£o global e divide opini√Ķes de especialistas renomados. Com a nova estratégia, o Reino Unido prioriza "alguma prote√ß√£o" ao maior número de pessoas possível.

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Em meio a seu "pior momento" desde o início da pandemia, o Reino Unido anunciou uma reviravolta em sua estratégia de vacina√ß√£o que atraiu a aten√ß√£o mundial.

Entenda a discuss√£o sobre o intervalo maior entre as duas doses da vacina da Covid-19

Quando dezenas de milhares de brit√Ęnicos esperavam pela segunda dose da vacina da Pfizer, autoridades médicas cancelaram agendamentos e aumentaram o tempo recomendado entre a primeira e a segunda picada para 12 semanas, em vez de 21 dias.

A decis√£o gerou preocupa√ß√£o e dividiu opini√Ķes na comunidade científica internacional.

Estratégia de ampliar imuniza√ß√£o contra Covid adiando segunda dose da vacina divide opini√Ķes

Os proponentes dizem que a maior parte da imunidade é alcan√ßada após a primeira dose, e que a segunda dose pode ser aplicada de forma mais espa√ßada.

Eles argumentam que isso daria proteção suficiente a muito mais pessoas, de forma mais rápida.

Mas críticos temem que esse atraso altere a efic√°cia da vacina ou, o que é pior, dê ao vírus mais tempo para sofrer muta√ß√Ķes e se tornar mais resistente.

"Suponho que esta decis√£o do Reino Unido atenda às emergências que o país têm devido à complica√ß√£o da pandemia. Fico em dúvida", disse Amós García Rojas, presidente da Associa√ß√£o Espanhola de Vacina√ß√£o (AEV).

O Reino Unido declarou seu terceiro confinamento nacional desde março de 2020, e o primeiro-ministro, Boris Johnson, garantiu que "o pior ainda está por vir".

Boris Johnson disse que "pior momento" da pandemia ainda est√° por vir

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Muitos países j√° come√ßaram a vacinar suas popula√ß√Ķes em meio a um dos momentos mais críticos da pandemia global.

Enquanto isso, o debate sobre como imunizar a popula√ß√£o e voltar à normalidade o mais r√°pido possível ainda gera divis√Ķes.

Mudanças

Quando os laboratórios Pfizer e BioNTech apresentaram os resultados dos testes clínicos de sua vacina, eles disseram que ela era mais de 90% eficaz após duas doses administradas com 21 dias de intervalo.

O Reino Unido come√ßou a vacinar sua popula√ß√£o em 7 de dezembro seguindo esses protocolos, mas mudou o roteiro e passou a oferecer a segunda dose 12 semanas após a primeira, quatro vezes o tempo recomendado pelo fabricante.

"N√£o h√° dados que mostrem que a prote√ß√£o após a primeira dose seja mantida após 21 dias", disseram a Pfizer e a BioNTech em comunicado recente sobre o assunto.

O Reino Unido j√° vacinou mais de 1,5 milh√£o de habitantes com os imunizantes da Pfizer e o da Universidade de Oxford e AstraZeneca, aprovado em 30 de dezembro.

A vacina de Oxford também é administrada em duas doses, mas, neste caso, parece ser mais eficaz com um intervalo mais longo em compara√ß√£o à da Pfizer nesse mesmo regime de aplica√ß√Ķes.

Autoridades brit√Ęnicas decidiram que "é preferível" vacinar mais pessoas com a primeira dose e afirmaram que a "grande maioria" da prote√ß√£o inicial se desenvolve após a primeira inje√ß√£o.

Elas argumentam que a segunda dose é bastante importante para a dura√ß√£o da prote√ß√£o e que "um intervalo apropriado pode até aumentar a efic√°cia da vacina."

Ficha técnica da Pfizer recomenda doses da vacina a cada 21 dias para maximizar sua efic√°cia.

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Críticas

A posi√ß√£o das autoridades brit√Ęnicas tem gerado críticas dentro de suas fronteiras e alimentado um debate internacional.

A British Medical Association, por exemplo, considerou "grosseiramente injusto" cancelar os agendamentos de pacientes que receberam a primeira dose e logo receberiam a segunda.

Esses pacientes incluem alguns dos grupos mais vulner√°veis ??ao vírus, como os maiores de 80 anos e profissionais de saúde.

Muitos pacientes vulner√°veis ??ter√£o que esperar mais tempo pela segunda dose

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J√° a Associa√ß√£o de Médicos do Reino Unido, em carta ao ministro da Saúde Matt Hancock, expressou "sérias e reais preocupa√ß√Ķes sobre as mudan√ßas repentinas no regime de vacinas da Pfizer porque n√£o seguem as recomenda√ß√Ķes científicas".

O debate também chegou aos Estados Unidos, mas o país descartou por ora a ado√ß√£o da estratégia do Reino Unido.

"Temos acompanhado as discuss√Ķes sobre a redu√ß√£o do número de doses, ou altera√ß√£o, ou aumento do tempo entre as doses ou mistura de vacinas para imunizar mais pessoas contra COVID-19", disseram Stephen Hann e Peter Marks, cientistas que assinam um comunicado da divis√£o de vacinas da US Food and Drug Administration (FDA).

O documento admite que "todas essas quest√Ķes s√£o razo√°veis ??durante os testes clínicos".

No entanto, o órg√£o acredita que mudar a estratégia agora "sem os dados apropriados" coloca a saúde pública em "risco" e "prejudica" os esfor√ßos para fabricar vacinas Covid-19.

O que diz a OMS?

VÍDEO: Países consideram aumentar prazo entre doses da vacina da Pfizer, explica Mari√Ęngela Sim√£o

Em 5 de janeiro, a Organiza√ß√£o Mundial da Saúde (OMS) se pronunciou sobre o assunto e recomendou a aplica√ß√£o da segunda dose da vacina Pfizer (a aprovada por mais países até o momento) "entre 21 e 28 dias". Em casos excepcionais, o intervalo poderia ser aumentado para 42.

As recomenda√ß√Ķes foram divulgadas pelo Grupo Consultivo Estratégico de Especialistas (Sage) do governo do Reino Unido.

"Embora n√£o conhe√ßamos dados de seguran√ßa e efic√°cia após a primeira dose, recomendamos que, nessas circunst√Ęncias excepcionais, os países atrasem a segunda dose por algumas semanas para maximizar o número de indivíduos que se beneficiam da vacina", disse Alejandro Cravioto, presidente da Sage, em conferência de imprensa.

Outro dos especialistas do grupo, Joachim Hombach, admitiu que o intervalo pode até ser estendido para no m√°ximo seis semanas. Mas isso representa apenas metade do tempo que o Reino Unido implementou.

Dúvidas e riscos

"Em uma pandemia, os protocolos devem ser respeitados. E os da Pfizer dizem que a imunidade é gerada com uma dose hoje e a próxima após 21 dias", disse García Rojas, presidente da AEV.

O especialista, porém, entende que a situa√ß√£o no Reino Unido "é muito complicada" devido ao r√°pido aumento de casos e press√£o hospitalar.

Parte da comunidade científica desconfia da estratégia adotada pelo Reino Unido, embora entenda que ela prioriza proteger um grande número de pessoas com mais rapidez

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"Tentam gerar maior imunidade, mas reitero que as especifica√ß√Ķes técnicas das vacinas devem ser respeitadas e com base nos dados disponíveis. É confuso para os cidad√£os e arriscado", diz García Rojas.

José Manuel Bautista, diretor do Departamento de Bioquímica e Biologia Molecular da Universidade Complutense de Madri, na Espanha, tem outros temores.

"O que mais me preocupa na estratégia adotada pelo Reino Unido é que nas 12 semanas entre a primeira e a segunda dose aconte√ßam muta√ß√Ķes do vírus que possam reduzir a efic√°cia da vacina", explica Bautista à BBC.

As muta√ß√Ķes dos vírus s√£o frequentes e muitas n√£o surtem efeitos, mas a terceira onda de infec√ß√Ķes sofrida pelo Reino Unido aponta para uma variante mais contagiosa do patógeno, embora no momento n√£o seja mais letal ou resistente às vacinas.

Variantes do coronavírus: o que se sabe até agora em 5 perguntas e respostas

"A decis√£o do Reino Unido é salomônica. N√£o se pode dizer que esteja errada. É verdade que a primeira dose j√° gera uma resposta benéfica, mas, no meu caso, eu n√£o correria esse risco por medo de muta√ß√Ķes", diz Bautista.

VÍDEOS: Novidades sobre a vacina

Fonte: G1

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