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De John Adams a Donald Trump, veja lista de presidentes dos EUA que não se reelegeram

Por Marcos Antonio em 20/01/2021 às 05:54:41
Eleito no pleito de 2016, o republicano Donald Trump não conseguiu se reeleger em 2020, ao perder para o democrata Joe Biden, que assume a presidência nesta quarta-feira (20). Presidente dos EUA, Donald Trump, durante coletiva de imprensa na Casa Branca

Carlos Barria/Reuters

Donald Trump faz parte de uma indesejada lista: a dos presidentes americanos que não conseguiram se reeleger. Em 2020, ele perdeu a eleição para Joe Biden, que assume o cargo nesta quarta-feira (20).

Dos 45 presidentes dos Estados Unidos, apenas 11 tiveram sua vontade de continuar no poder negada pela população. Desde 1992, quando o então presidente George H. W. Bush perdeu para o democrata Bill Clinton, todos os candidatos haviam assegurado o segundo mandato.

Veja a seguir quem foram os presidentes que tentaram a reeleição, mas perderam nas urnas.

John Adams - de 1797 a 1801

O federalista John Adams foi o segundo presidente da história dos Estados Unidos, entre 1797 a 1801, e o primeiro a não conseguir a reeleição.

Após ter sido vice de George Washington em seus dois mandatos, Adams concorreu para o cargo com o Partido Federalista e assumiu como presidente.

Retrato de John Adam, o segundo presidente norte-americano

Domínio Público

Sua gestão foi marcada por uma guerra não declarada com a França, conhecida como “quase-guerra” e pela assinatura dos controversos Atos de Sedição e Estrangeiro, vistos por críticos como uma tentativa de suprimir eleitores que discordassem do partido federalista.

Para John E. Ferling, professor emérito de história na Universidade da Georgia Ocidental e autor de uma biografia de Adams, a lei está entre os motivos de sua derrota, junto com a organização mais forte dos republicanos, a desunião federalista e a popularidade de Thomas Jefferson, que acabou eleito, no Sul dos EUA.

John Adams foi também o primeiro presidente a não comparecer à posse de seu sucessor.

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John Quincy Adams - de 1825 a 1829

O segundo presidente não reeleito manteve a lista em família. John Quincy Adams era o filho mais velho de John Adams.

Ele foi eleito para a presidência depois que nenhum candidato obteve a maioria no Colégio Eleitoral, o que levou a eleição à Câmara dos Representantes. Seu mandato foi de 1825 a 1829.

Retrato em óleo sobre tela de John Quincy Adams, presidente dos EUA entre 1825 e 1829

George Peter Alexander Healy/The White House Historical Association

Por não ter vencido no voto popular e sob a suspeita de ter feito um acordo com o presidente da Câmara, Henry Clay, para obter a presidência, seu governo começou sob a mancha de impropriedade.

Adams foi o sexto presidente americano e ocupou o cargo com um mandato marcado por divergências em seu partido, o Partido Republicano-Democrata, que o impediu de fazer progresso.

Depois do fracasso nas urnas, o partido se dividiu e deu origem ao Partido Democrata e ao Partido Whig.

Assim como seu pai - e como Trump - ele também não esteve na posse de seu sucessor.

Martin Van Buren - de 1837 a 1841

O democrata Martin Van Buren foi o oitavo presidente dos Estados Unidos, entre 1837 e 1841.

Ele perdeu a reeleição em 1840 para William Henry Harrison, do partido Whig, que morreu logo após assumir o cargo.

Retratos de Martin Van Buren, presidente dos EUA entre 1837 e 1841

Brady-Handy photograph collection/Library of Congress/Prints and Photographs Division

Seu governo foi marcado, em grande parte, pelas dificuldades econômicas da época, como o Pânico de 1837, crise financeira que causou uma grande recessão econômica até meados da década seguinte.

A incapacidade de Van Buren em lidar efetivamente com a crise, combinada com a crescente força política dos Whigs na oposição, causaram sua derrota nas eleições presidenciais de 1840.

Martin van Buren foi, ao lado de Thomas Jefferson, uma das duas únicas personalidades políticas do país a terem servido como Secretário de Estado, Vice-Presidente e Presidente dos Estados Unidos.

Grover Cleveland - de 1885 a 1889

O democrata Grover Cleveland foi o 22º e 24º presidente dos Estados Unidos, nos períodos de 1885 a 1889 e de 1893 a 1897.

Apesar de ter cumprido dois mandatos, ele entra na lista por não ter conseguido a reeleição em 1888, após seu primeiro mandato.

Grover Cleveland, presidente dos EUA nos períodos de 1885 a 1889 e de 1893 a 1897

General Services Administration. National Archives and Records Service. Office of the National Archives. (ca. 1949 - 1985)

Em dezembro de 1887, ele pediu ao Congresso que reduzisse as altas tarifas protecionistas. Após ser dito que ele tinha dado aos adversários republicanos uma questão efetiva para a campanha de 1888, ele retrucou: "Qual é a utilidade de ser eleito ou reeleito se você não defende um ideal?", segundo consta em sua biografia na Casa Branca.

E Cleveland perdeu a reeleição. Embora tenha vencido o candidato republicano Benjamin Harrison no voto popular, ele conseguiu menos votos nos colégios eleitorais.

Benjamin Harrison - de 1889 a 1893

O republicano assumiu em 1889 no lugar de Grover Cleveland e foi o quinto presidente americano a não conseguir a reeleição, sendo derrotado por... Grover Cleveland, em 1893.

Assim, ele se tornou o único presidente a suceder e anteceder a mesma pessoa.

Benjamin Harrison, presidente dos EUA entre 1889 e 1893

Pach Brothers/Library of Congress/Prints and Photographs Division

Harrison foi o 23º presidente, entre 1889 e 1893, e seu mandato foi marcado pela tarifa McKinley, que impôs taxas históricas de proteção ao comércio, e pela Lei Antitruste Sherman, que autorizou o governo federal a investigar e processar trustes.

Devido em grande parte ao superávit das receitas tarifárias, os gastos federais alcançaram um bilhão de dólares pela primeira vez durante seu mandato.

Muito antes do fim de seu governo, no entanto, o superávit do Tesouro havia evaporado e a prosperidade parecia estar prestes a acabar.

As eleições para o Congresso em 1890 foram difíceis para os republicanos e os líderes do partido decidiram abandonar o presidente Harrison, embora ele tivesse cooperado com o Congresso na legislação do partido.

Ainda assim, Harrison recebeu a indicação para concorrer na eleição de 1892, mas acabou derrotado por Cleveland.

William Howard Taft - de 1909 a 1913

Vinte anos depois foi a vez de William Haward Taft tentar a reeleição e fracassar, em 1912, perdendo para o democrata Woodrow Wilson, que cumpriu dois mandatos completos.

O republicano foi o 27º presidente dos Estados Unidos, servindo de 1909 a 1913.

William Howard Taft, 27º presidente dos EUA entre 1909 e 1913

Library of Congress/Prints and Photographs Division

Sua administração foi repleta de conflitos entre a ala conservadora do Partido Republicano, com a qual Taft sempre simpatizou, e a ala progressista, dominada pelo seu antecessor Theodore Roosevelt.

Os dois disputaram a indicação do partido na Convenção Nacional Republicana de 1912, mas Taft foi capaz de usar seu controle da máquina do partido para ganhar por pouco a indicação.

Após a convenção, Roosevelt deixou os republicanos, formou o Partido Progressista e concorreu contra Taft e Wilson nas eleições de 1912.

Essa divisão entre os republicanos acabou com as chances de Taft se reeleger, dando aos democratas o controle da Casa Branca novamente após dezesseis anos.

Herbert Hoover - de 1929 a 1933

Eleito presidente dos Estados Unidos em 1928, Herbert Hoover teve que lidar com a quebra do mercado de ações e com a crise econômica logo no seu primeiro ano de mandato.

O republicano foi o 31º presidente dos Estados Unidos.

Herbert Hoover, presidente dos EUA entre 1929 e 1933

Library of Congress

Hoover foi o terceiro presidente republicano consecutivo e manteve muitas das políticas do governo anterior. Ele defendia que o governo, as empresas e os trabalhadores se unissem para alcançar a prosperidade econômica, mas se opunha a uma intervenção direta do governo federal na economia.

Quando ocorreu a quebra da bolsa de 1929, Hoover tentou combater a Grande Depressão que se seguiu assegurando a confiança pública e trabalhando com líderes empresariais e governos locais.

Com o agravamento da crise em 1931 e 1932, Hoover relutantemente cedeu aos pedidos de intervenção federal direta, estabelecendo a Reconstruction Finance Corporation e assinando um importante projeto de lei de obras públicas.

Ao mesmo tempo, ele assinou a Lei da Receita de 1932, que buscava manter um orçamento equilibrado com o aumento de impostos. Apesar dos esforços, a economia não se recuperou e Hoover sofreu uma derrota esmagadora para Franklin D. Roosevelt na eleição seguinte.

Gerald Ford - de 1974 a 1977

O republicano Gerald R. Ford foi o 38º presidente dos Estados Unidos, de 1974 a 1977.

Ele perdeu a reeleição em 1976 para o democrata Jimmy Carter, que também não se reelegeu e cumpriu apenas um mandato.

Gerald Ford, presidente dos EUA entre 1974 e 1977

David Hume Kennerly/U.S. National Archives and Records Administration

Ford assumiu o cargo logo após o escândalo de Watergate e nos estágios finais da Guerra do Vietnã. Seu primeiro grande ato ao assumir o cargo foi conceder o perdão presidencial a Richard Nixon por seu papel no escândalo de Watergate. A controversa decisão não foi bem recebida por parte da população e o próprio Ford disse mais tarde acreditar ter sido um fator importante para o fracasso na reeleição.

Seu mandato também foi marcado pelo foco da política doméstica na economia, que passou por uma recessão durante sua gestão. Após inicialmente aumentar impostos para combater a inflação, Ford defendeu um corte nas taxas para rejuvenescer a economia e sancionou duas leis de redução de impostos.

Na eleição presidencial de 1976, Ford foi derrotado por Carter por uma margem estreita no voto popular e eleitoral.

Jimmy Carter - de 1977 a 1981

O democrata Jimmy Carter comandou os Estados Unidos de 1977 a 1981, mas perdeu a reeleição em 1980 para Ronald Reagan.

Ele foi o 39º presidente dos Estados Unidos.

Jimmy Carter, presidente dos EUA entre 1977 e 1981

Department of Defense/Naval Photographic Center

Ele assumiu o cargo durante um período de "estagflação", quando a economia experimentou uma combinação de alta inflação e crescimento econômico lento. Suas políticas orçamentárias se concentravam em controlar a inflação, reduzindo os déficits e os gastos do governo.

Carter também criou uma política nacional de energia destinada a promover a conservação e desenvolvimento de recursos alternativos, em resposta às preocupações com energia que persistiram durante grande parte da década de 1970.

Apesar das políticas, o país foi assolado por uma crise de energia em 1979, seguida por uma recessão em 1980. Carter tentou fazer reformas nos sistemas de bem-estar social, saúde e impostos, mas não teve sucesso, em parte devido às más relações com o Congresso.

O final de seu mandato foi marcado pelo sequestro de 52 americanos mantidos como reféns na embaixada dos Estados Unidos no Irã, que dominou o noticiário durante os últimos 14 meses do governo.

A biografia de Carter na Casa Branca cita o sequestro dos americanos no Irã e a inflação no país como motivos que contribuíram para seu fracasso nas eleições de 1980.

George H. W. Bush - de 1989 a 1993

George H. W. Bush, o “Bush pai”, foi o último presidente (antes de Trump) a não conseguir a reeleição após ser derrotado pelo democrata Bill Clinton em 1992.

Bush foi o 41º presidente dos EUA, ocupando a posição entre 1989 e 1993 após ter servido como vice-presidente de Ronald Reagan entre 1981 e 1989.

George H. W. Bush, presidente dos EUA entre 1989 e 1993

David Valdez/Library of Congress/Prints and Photographs Division

Sua presidência foi marcada por assuntos internacionais, com o fim da Guerra Fria e uma nova era das relações dos EUA com os países soviéticos. Após a queda do Muro de Berlim, Bush pressionou com sucesso pela reunificação da Alemanha.

Ele também liderou uma coalizão internacional de países que forçou o Iraque a se retirar do Kuwait na Guerra do Golfo e empreendeu uma invasão militar dos EUA ao Panamá.

Vários fatores foram importantes na derrota de Bush, mas a economia em dificuldade pode ter sido o principal fator. No dia da eleição, 7 em cada 10 eleitores disseram que a economia ou "não estava tão boa" ou estava “ruim”. Além disso, a taxa de desemprego na época era de 7,8%, a maior desde 1984.

Fonte: G1

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