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Banco Central se mostra mais preocupado com a inflação, dizem analistas

Por Marcos Antonio em 20/01/2021 às 21:26:34
Especialistas afirmam que a autoridade monetária avalia os impactos do fim do Auxílio-Emergencial na economia e retirou o forward guidance para coordenar expectativas de mercado. Nesta quarta-feira (20), Comitê de Política Monetária do Banco Central (Copom) manteve a taxa de juros em 2% ao ano, mas reconheceu que os choques inflacionários se tornaram mais persistentes do que o esperado.

O comunicado divulgado nesta quarta mostra que o Banco Central está mais preocupado com a inflação, segundo analistas ouvidos pelo G1. A mudança de postura indica que a taxa básica de juros (Selic) deve voltar a subir.

A autoridade monetária reconheceu que os choques inflacionários se tornaram mais persistentes do que o esperado e apontou que as medidas subjacentes da economia estão acima “do intervalo compatível com o cumprimento da meta para a inflação”.

“O BC reconhece um cenário que já vínhamos notando: de mais preocupação com a inflação”, afirmou Elisa Machado, economista da ARX Investimentos.

Na avaliação dela, a Selic deve voltar a subir no segundo trimestre.

Para Mauricio Oreng, superintendente de pesquisas macroeconômicas do Santander, apesar de o Banco Central ter mostrado preocupação com a inflação, a autoridade monetária ainda avalia os impactos do fim do Auxílio-Emergencial e da segunda onda da Covid-19.

"Ao mesmo tempo que eles endereçaram as preocupações do mercado, ganharam tempo para as incertezas", disse Oreng.

No comunicado, o Copom também anunciou o fim do chamado "forward guidance", a orientação futura que indica a manutenção dos juros respeitando certas condições, como era esperado pelo mercado.

"O fato de retirar o forward guidance não implica mecanicamente em elevação dos juros. É uma tentativa de coordenar as expectativas”, afirmou Elisa.

Pressionado pelos preços dos alimentos, o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) fechou 2020 em 4,52%, acima do centro da meta para o ano, que era de 4%.

Inflação ao longo dos últimos anos

G1

Para 2021, as expectativas de inflação também estão em alta. No último relatório Focus, do Banco Central, os analistas estimam que o IPCA deve encerrar o ano em 3,47%. Há uma semana, a expectativa era de 3,35%.

Com um cenário pior para a inflação, os analistas avaliam que a Selic deve encerrar o ano em 3,25% - há uma semana, a expectativa era de 3%.

Na avaliação de Orengo, do Santander, o Copom deve ter uma visão mais clara sobre a economia, principalmente sobre a situação fiscal do país, a partir de março — quando, então, os juros devem sofrer alguma mudança.

"A inflação não está acima da meta. Se o BC vai subir juros ou não, vai depender do cenário econômico daqui para frente", concluiu.

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Fonte: G1

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