18/08/2021 às 17h37min - Atualizada em 20/08/2021 às 00h00min

O Escultor do Saber

(*) Guilherme Augusto de Carvalho

SALA DA NOTÍCIA NQM
http://www.uninter.com

Divulgação
Descobri, enquanto buscava disciplina para o estudo e a pesquisa, que certas áreas são muito semelhantes. O escritor, o escultor ou o músico, acabam tendo práticas bem parecidas com a do acadêmico ou do pesquisador. Aprendi isso ao perceber, no meio da minha jornada, ações bem idênticas.

Um intelectual é antes de tudo um escultor. Estudar e buscar conhecimento é quase como que esculpir, é preciso haver técnica e alguns cuidados para que o conhecimento seja construído e assimilado.

A arte é primeiramente concebida na mente, um bom escultor antes de tudo, tem boa imaginação. Ele é uma pessoa que pensa a planeja bem a sua empreitada antes de começar. Por isso que esboços e muito planejamento surgem a fim de que ele não se perca no caminho. Assim também é o intelectual, é preciso planejar bem e pensar muito onde quer chegar com determinada pesquisa ou estudo acadêmico. É importante traçar bem os planos e saber ao certo o propósito dos seus estudos.

No vasto mundo do conhecimento, quem não sabe onde quer chegar, acaba por seguir sem propósito e com isso, não produz nada. Sem delimitar bem a linha de pesquisa, ou o alvo ao escrever um artigo ou livro, nos perdemos, e acabamos por desistir ou o pior, escrever coisas muito genéricas e pouco aprofundadas. E assim como um bom escultor vê em sua mente a arte pronta ao olhar a pedra bruta, também deve ser o intelectual. Ele deve enxergar bem o caminho, antes de empreender a sua jornada.

O segundo ponto semelhante é entender que estudar e buscar conhecimento é um processo lento, que demanda muito tempo. É preferível caminhar devagar, dando um passo de cada vez e aprendendo de verdade e de forma mais aprofundada, do que estudar com pressa ou ler rápido e reter pouco conteúdo.

É um passo de cada vez, com passos lentos e certeiros, lapidando o conhecimento e prestando bem atenção no caminho que construímos o conhecimento. Tal qual o escultor, que pouco a pouco vai desbastando a pedra e construindo a sua obra, sem pressa, se concentrando mais na precisão e na própria arte do que na velocidade.
Tenho visto muitos cursos que propõem leitura dinâmica de livros, a proposta dos cursos é fazer você ler cada vez mais rápido, para que você consiga aprender rápido. Coisa que é impossível, pelo menos quando falamos de um conhecimento duradouro, que permanece. Quando eu estudo um livro, me concentro em reter o máximo de informação, não prezo pela velocidade, prefiro a constância à rapidez.

Por fim, seguindo para uma aplicação um pouco mais prática, seus estudos devem tomar uma forma, devem ter uma aplicação real, seja em forma de um artigo acadêmico, um livro ou mesmo uma aula ou palestra. É importante transformar a sua pesquisa em algo palpável, para que assim possa ajudar outras pessoas e deixar um pouco do que aprendeu com elas.

O conhecimento serve para ser passado, sendo que quanto mais você ensina e divide, mais você aprende. Assim como um escultor tem a sua obra de arte pronta, o acadêmico também deve deixar algo, teoria que fica só na teoria, acaba se perdendo.

Escrever e estudar é esculpir, é construir uma obra de arte, é trabalhar nas palavras e no conhecimento, dando corpo a toda a obra. O escultor do saber é antes de tudo um caminhante, alguém que sem pressa, constrói a sua obra, sem pensar muito na velocidade. Rapidez não combina com relevância!

Guilherme Augusto de Carvalho é Bacharel em Teologia, Especialista em Filosofia, Ciências da Religião e Ensino Religioso. Professor da Área de Humanidades do Centro Universitário Internacional Uninter
 


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