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Enem: entenda por que 'sair chutando' as respostas n√£o d√° certo na prova

Por Marcos Antonio em 22/01/2021 às 07:46:33
Teoria de Resposta ao Item (TRI) avalia se o candidato teve desempenho coerente ao longo do exame. Caderno de provas do Enem 2019 - 1¬ļ dia

Ana Carolina Moreno/G1

No Exame Nacional do Ensino Médio (Enem), n√£o d√° para contar só com a sorte. O método de corre√ß√£o da prova - chamado Teoria de Resposta ao Item (TRI) - é programado para dar uma nota menor a quem “chutar” as respostas.

Mas como? Imagine um atleta competindo em uma prova de salto em altura. Se ele foi capaz de saltar 3 metros, deve ter conseguido também pular o obst√°culo de 2 metros, certo? A TRI busca detectar essa coerência no desempenho dos alunos no Enem.

Se um candidato acertou uma quest√£o muito difícil, deve ter resolvido com tranquilidade a de nível f√°cil.

Por outro lado, se ele acertou as 15 quest√Ķes mais complexas de matem√°tica, mas errou justamente as 15 mais f√°ceis¬Ö provavelmente foi na sorte. O sistema de corre√ß√£o detecta o “acerto ao acaso” - ou seja, o “chute” - e atribui uma pontua√ß√£o menor ao candidato.

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É uma forma diferente da que é usada para corrigir a Fuvest, por exemplo, em que o número de acertos corresponde à nota final. No Enem, cinco candidatos podem acertar exatamente a mesma quantidade de quest√Ķes, mas tirarem notas bem diferentes.

“Um caso real: com 17 acertos, a pontua√ß√£o variou de 350 a 700 pontos, segundo os microdados do Enem. É um exemplo extremo, mas que deixa claro como a TRI é decisiva principalmente com números baixos de acerto”, afirma Edmilson Motta, coordenador geral do Grupo Etapa.

Abaixo, tire suas dúvidas sobre a TRI:

1- Como a TRI sabe que uma quest√£o é "f√°cil” ou “difícil”?

A TRI é um sistema matem√°tico complexo, programado por uma série de fórmulas. Em primeiro lugar, h√° uma avalia√ß√£o do conteúdo cobrado. Na mesma edi√ß√£o, pode haver duas quest√Ķes de √°lgebra: uma exigindo apenas uma conta, outra cobrando uma interpreta√ß√£o mais ampla e um número maior de c√°lculos. Pela lógica, o candidato que conseguir resolver a segunda (mais difícil) deve ter acertado também a primeira (mais simples).

Além disso, para classificar o nível de dificuldade de uma pergunta, o Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep) aplica pré-testes, antes do Enem, para grupos semelhantes aos que v√£o prestar o exame. Com base no número de pessoas que acertaram aquela resposta, é possível mensurar a dificuldade dela.

“É uma sele√ß√£o estatística. Fazemos um sorteio de escolas para que seja uma amostra significativa: tenha colégios de diferentes níveis de desempenho no Enem, de todas as faixas de renda”, diz Eduardo Carvalho Sousa, coordenador-geral de exames para certifica√ß√£o do Inep.

Mas o aluno que participou do pré-teste n√£o vai levar vantagem no Enem "de verdade"? Sousa explica que as quest√Ķes testadas ficam em uma espécie de quarentena. Depois de serem aplicadas para as amostras de estudantes, v√£o permanecer no banco de perguntas por determinado período.

“Provavelmente, quando aquela quest√£o for realmente cair no Enem, os alunos do pré-teste j√° estar√£o na faculdade ou ter√£o desistido de prestar o exame”, diz o funcion√°rio do Inep. “O risco de alguém ser favorecido é praticamente inexistente.”

2- Quais as vantagens da TRI?

A TRI:

ao detectar os famosos "chutes", premia o aluno que, de fato, se preparou para a prova, e n√£o aquele que apenas pode dar sorte de acertar as alternativas;

possibilita a compara√ß√£o entre candidatos que tenham feito diferentes edi√ß√Ķes do exame;

torna mais improv√°vel que dois concorrentes tirem exatamente a mesma nota - j√° que o resultado final é divulgado com duas casas decimais (816,48 pontos, por exemplo).

“É um sistema complexo e mais justo. Os alunos costumam achar que é algo subjetivo, mas n√£o. H√° um calibre da pontua√ß√£o de cada quest√£o, para que a nota realmente corresponda ao desempenho do candidato”, diz Vicente Delorme, diretor de planejamento do Colégio pH (RJ).

3- Vale a pena deixar quest√£o em branco?

Não. Os professores ouvidos pelo G1 reforçam que os candidatos nunca devem deixar o gabarito em branco.

A TRI n√£o tira pontos de quem chuta a resposta - apenas d√° uma pontua√ß√£o menor para o acerto “na sorte”.

“O aluno com desempenho incoerente, que errou as f√°ceis e acertou as difíceis, vai ganhar menos pontos. Mas n√£o vai deixar de ganhar nota. N√£o preencher o gabarito n√£o é uma boa estratégia”, diz Delorme.

4- É melhor come√ßar a prova pelas quest√Ķes mais f√°ceis?

É interessante garantir o acerto das mais f√°ceis - o problema é que elas n√£o vêm identificadas. N√£o h√° como descobrir, de cara, o nível de dificuldade de cada uma.

No segundo dia de Enem, por exemplo, o aluno deve fazer as provas de matem√°tica (45 quest√Ķes) e de ciências da natureza (outras 45). Se ele se dedicar exaustivamente às 45 perguntas de matem√°tica, vai chegar cansado à prova de ciências da natureza - e correr√° o risco de errar as mais simples.

Motta, do curso Etapa, sugere uma estratégia:

“Uma boa alternativa é fazer um pouco de cada prova, ainda com a cabe√ßa fresca. Depois, reservar uma parte do tempo para resolver as mais trabalhosas”, diz. “Pode ser 1h30 para uma prova, 1h30 para a outra. Quando aparecer alguma quest√£o difícil, é só pular e voltar para ela depois. Assim, d√° para aumentar a chance de acertar as f√°ceis.”

5- A TRI deve mudar meu jeito de estudar?

N√£o. O aluno que estiver preparado para o Enem vai ter um desempenho coerente e, por consequência, uma boa nota.

O que pode ajudar a definir as prioridades de estudo antes da prova é j√° pensar em que curso o candidato quer fazer. No Sistema de Sele√ß√£o Unificada (Sisu), que usa a nota do Enem para selecionar alunos para universidades públicas, algumas institui√ß√Ķes atribuem peso às provas.

Por exemplo: a nota final de quem se candidatar para uma vaga em direito vai dar um peso maior à prova de ciências humanas do que à de matem√°tica. Nesse caso, Delorme afirma que vale a pena, “na hora H”, caprichar na revis√£o de história e geografia.

6- A reda√ß√£o também é por TRI?

N√£o. A TRI só vale para as respostas de múltipla escolha. Na reda√ß√£o, os corretores atribuem uma nota de 0 a 1.000, com base nas competências exigidas pelo Enem.

7- Por que ninguém tira zero nas quest√Ķes do Enem?

Sousa, do Inep, explica que a TRI avalia até mesmo o erro do aluno. “Cada alternativa incorreta tem uma fun√ß√£o. Ela pode mostrar qual nível de conhecimento o aluno tem”, diz. “É por isso que ninguém tira zero no Enem."

Supondo que a pergunta seja "quanto é 50 - 25?". O correto, claro, é “25”. O aluno que marcou “24” tem um nível de conhecimento diferente do que respondeu “75”. Cada erro d√° alguma pontua√ß√£o para o candidato. A alternativa mais absurda vai render menos pontos do que aquela que foi "na trave".

Cronograma do Enem

Provas impressas: 17 e 24 de janeiro.

Prova digital: 31 de janeiro e 7 de fevereiro.

Reaplicação da prova: 23 e 24 de fevereiro

Resultados: a partir de 29 de março

Fonte: G1

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