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'Ninguém queira passar o que passamos', diz mulher de paciente com Covid-19 levado a hospital em caçamba de caminhonete em SC

Por Marcos Antonio em 24/02/2021 às 20:00:47

Lúcia Viera acompanhou o marido, Altair Gonçalves Pereira, de 41 anos, na caçamba de uma caminhonete até um hospital em Chapecó, no Oeste, na segunda-feira (22). Com diagnóstico de Covid-19, ele estava com dificuldades de respirar e foi levado com um cilindro de oxigênio comprado pela própria família. Ele está internado na enfermaria do Hospital Regional com quadro estável.

"Ninguém queira passar o que nós passamos naquele momento ali, vendo ele passar mal e não ter uma ambulância para socorrer", disse.

De acordo com Lúcia, Altair foi levado até o posto de saúde justamente por causa da dificuldade de respirar, após piora no quadro de saúde. Ele foi diagnosticado com coronavírus há cerca de uma semana e estava em casa.

Paciente com Covid-19 é levado na caçamba de carro para hospital em Chapecó (SC)

Amanda Tomasi/Reprodução

No posto de saúde, o médico pediu que o homem fosse transferido para o Hospital Regional do Oeste. Mas a ambulância solicitada não chegou, segundo a família, que resolveu voltar para casa e improvisou a transferência. Como o oxigênio não coube dentro do carro, eles foram na carroceria.

"Chegamos em casa e veio a irmã dele com a caminhonete, que foi o nosso socorro. Tentamos levar ele sem o oxigênio, mas tivemos que voltar, porque faltou ar e ele disse que não ia aguentar. Colocamos um colchão em cima da caminhonete e conseguimos chegar até lá [hospital] com ele para socorrer", disse Lúcia.

Paciente com Covid-19 é levado na carroceria de carro para hospital em Chapecó; VÍDEO

A prefeitura de Chapecó informou que era necessário abrir uma vaga na upa e que durante a tentativa de transferência com ambulância, a família que decidiu levar o paciente. No entanto, a família disse que aguardou duas horas no posto de saúde.

Paciente com tubo de oxigênio é transportado em caminhonete em Chapecó

Lúcia Vieira é esposa de Altair Gonçalves Pereirra, de 41 anos, que teve que ser transportado na caçamba de uma caminhonete com um tubo de oxigênio, para o hospital na segunda-feira (22), em Chapecó, no Oeste. Ela acompanhou o marido durante o trajeto. A transferência improvisada do paciente com Covid-19 aconteceu porque a ambulância chamada pelo médico, não foi até o posto de saúde, segundo a família.

O cilindro de oxigênio que aparece na imagem foi comprado pela família de Altair. A assessoria do Hospital Regional do Oeste, informou que não passa o estado de saúde dos pacientes, mas confirmou que o homem está internado na unidade. A esposa disse que Altair está sob cuidados médicos e se recuperando.

Aumento do uso de oxigênio em SC

Os hospitais em Santa Catarina ainda não registraram desabastecimento de oxigênio, mas alertam que a crescente demanda pode prejudicar os estoques no estado. Isso porque, grande parte dos pacientes com Covid-19 que dão entrada nas enfermarias precisam utilizar oxigênio: Quanto mais grave é a situação, mais insumo a pessoa terá que utilizar.

Há alerta também para possível falta de usados na intubação de quem está em situação mais grave. Com o estoque dos hospitais em baixa, o Estado pediu apoio ao Ministério da Saúde. O Ministério Público e o Tribunal de Contas também recomendaram que o Governo tome providências para evitar a falta de oxigênio e garantir o atendimento.

Governo de SC pede reforço ao Ministério da Saúde por risco de faltar remédios de 'kit intubação'

Unidades de Saúde alertam para possível alta na demanda de cilindros de oxigênio para pacientes em SC

Na Unidade de Pronto Atendimento de São José, na Grande Florianópolis, o estoque de oxigênio previsto para durar doze dias, em razão da alta demanda, foi consumido em quatro horas por pacientes que esperavam uma transferência.

"Nós estamos acompanhado e monitorado as últimas 24 horas, 48 horas. E a gente [percebe] que reduziu o número de pacientes que chegam com a sua saturação baixa e necessitando de oxigênio", observou a Secretária de Saúde de São José, Simara Simioni.

No Hospital Regional de Biguaçu, na Grande Florianópolis, o alto consumo também tem preocupado a administração da unidade.

"Já teve uma conversa com a empresa que presta serviço para nós. Eles vinham uma vez a cada quinze dias, [agora] estão vindo uma vez por semana fazer o abastecimento de oxigênio", disse o diretor do Hospital Regional de Biguaçu, Marcio Sottana.

Alta no consumo de oxigênio por pacientes preocupa unidades de saúde de SC

NSC TV/Reprodução

Já o hospital Celso Ramos, em Florianópolis, fez a solicitação de novos cilindros no começo do ano. A administração da unidade enviou para o governo do estado na segunda-feira (21) um documento mostrando a preocupação da unidade com a quantidade de cilindros disponíveis, "diante do cenário que estamos acompanhando a falta de oxigênio (cilindros) em outras unidades hospitalares, já estamos considerando a nossa solicitação de incremento insuficiente, pois se continuar o aumento exponencial de pacientes internados com Covid-19 em nossa unidade, vislumbramos um possível colapso no atendimento de pacientes, acarretando o risco de óbitos caso não anteciparmos uma solução imediata", diz o ofício.

Mesmo com o risco de desabastecimento descartado pelas empresas que comercializam o produto, alguns efeitos apareceram: A UPA de São José, teve que trocar uma válvula do sistema de gases, em função do uso excessivo.

Já o Hospital Florianópolis registrou "um superaquecimento no sistema de gases na última sexta-feira (19). Como medida de segurança, a empresa de manutenção vetou o aumento do número de leitos até que seja emitido um laudo técnico e realizados as substituições necessárias."

Alta de 25% na Grande Florianópolis

Os hospitais e UPAs compram oxigênio de empresas privadas, que são responsáveis pelo reabastecimento dos tanques do sistema de gases ou pela troca dos cilindros. A principal empresa que fornece o insumo para os hospitais da Grande Florianópolis, informou para a equipe da NSC TV que nas últimas semanas, registrou um aumento de 25% no consumo do produto na região. Segundo a entidade, a Secretaria de Saúde foi avisada do aumento.

Empresa que abastece a Grande Florianópolis registrou aumento de 25% no consumo de oxigênio

NSC TV/Reprodução

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Fonte: G1 SC

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