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Relembre situação dos leitos de UTI SUS de SC durante pandemia e os desafios em abrir novas vagas

Por Marcos Antonio em 25/02/2021 às 06:00:39

Hospital São José/Divulgação

A ocupação de leitos de Unidade de Terapia Intensiva (UTI) reservados para pacientes com Covid-19 tem chamado a atenção em Santa Catarina, principalmente, pela falta de vagas na região Oeste. Porém, ao longo de toda a pandemia, os hospitais que oferecem leitos pelo Sistema Único de Saúde (SUS) enfrentaram dificuldades. A menos de um mês de completar 1 ano dos primeiros dois casos confirmados do novo coronavírus em Santa Catarina, o G1 relembra como a taxa de ocupação de leitos de UTI SUS no estado se comportou entre maio de 2020, quando o governo passou a divulgar números separando UTI-geral de UTI-Covid, e fevereiro deste ano.

Nem sempre uma diminuição no índice significou queda no número de pacientes. Se em 18 de maio, primeiro dia em que o governo do estado passou a divulgar o total de leitos de UTI SUS disponíveis, Santa Catarina tinha 1.210 vagas e 60,2% delas ocupadas, em 22 de fevereiro de 2021 eram 1.576 leitos ativos e ocupação de 89%.

Até a publicação desta reportagem, a maior taxa de ocupação de toda a pandemia tinha ocorrido nessa quarta-feira (24), com 91,18%. Desde março, ao menos 652,8 mil pessoas tiveram diagnóstico positivo de coronavírus e 7,1 mil desses infectados morreram.

Enquanto isso, as autoridades de saúde tentam aumentar números de vagas de UTI, mas esbarram, além da estrutura física, em encontrar profissionais capacitados para colocar os leitos em funcionamento.

Paralelamente, pesquisadores alertam que, mais que oferta de leitos, deve haver restrições e cuidados sanitários para frear o contágio pela Covid-19 - veja mais abaixo.

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O Estado começou a divulgar informações sobre os leitos de UTI SUS de Santa Catarina em 21 de abril. Naquela época, os dados eram somente do número de leitos de UTI-Covid. A partir de 18 de maio, a divulgação passou a levar em conta os leitos gerais e os reservados para pacientes com coronavírus.

Em abril, foram registrados 2.167 novos casos de coronavírus, com 46 mortes, conforme levantamento do Núcleo de Estudos de Economia Catarinense (Necat), da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC). Em março, foram 227 pacientes e dois óbitos.

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Diorgenes Pandini/NSC

Em maio, o número de casos confirmados de Covid-19 já aumentava em relação aos meses anteriores. Houve um total de 6.643 novos pacientes com a doença, com 95 mortes nesses 31 dias. Foi nesse mês também que Santa Catarina chegou a 100 óbitos por coronavírus, no dia 22.

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As aulas continuavam remotas, mas houve flexibilizações de alguns serviços em abril e maio. A reabertura do comércio, em 13 de abril, foi relacionada por pesquisadores ao aumento do número de casos em Santa Catarina, como explicou Lauro Mattei, professor de economia e coordenador do Necat da UFSC, em boletim do próprio Necat em 4 de julho.

"De um modo geral, pode-se afirmar que esse processo de espraiamento da doença por todo o território catarinense ganhou impulso logo após o início do processo de flexibilização da quarentena no começo de abril e foi se acelerando nos meses seguintes", informou o professor.

Outro relaxamento das regras ocorreu no final de maio, quando foi autorizada a retomada de aulas presenciais de autoescolas e cursos livres, como de idiomas e profissionalizantes.

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A contaminação dos trabalhadores em frigoríficos também foi uma realidade no estado. Em Concórdia, no Oeste, metade dos casos registrados na cidade em maio eram de funcionários dessas empresas.

Em abril, ocorreu o lançamento do edital para o hospital de campanha de Itajaí, que teria 100 leitos de UTI-Covid. Porém, após a contratação da unidade ser suspensa pela segunda vez pela Justiça, o governo decidiu cancelar a iniciativa. A tentativa de contratação chegou a ser um dos motivos do segundo pedido de impeachment contra o governador Carlos Moisés (PSL) - e ainda não foi julgado.

Além dos casos confirmados, o número de leitos de UTI-SUS também aumentou. Já no final de maio havia 1.006 vagas de UTI a mais do que no início do mês, o que fez diminuir a taxa de ocupação (veja nos gráficos abaixo - clique para ampliar).

Gráfico mostra ocupação de leitos de UTI-Covid SUS de abril a maio de 2020

Ben Ami Scopinho/NSC

Taxa de ocupação de leitos UTI-Covid e UTI geral maio (veja nos gráficos abaixo - clique para ampliar).

Taxa de ocupação de leitos UTI SUS em maio de 2020

Reprodução/Governo de Santa Catarina

Em maio, já houve problema de lotação da UTI-Covid em hospitais públicos catarinenses. O Hospital Ruth Cardoso, em Balneário Camboriú, no Litoral Norte, por exemplo, estava com todas as unidades de terapia intensiva lotadas no dia 22.

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Montagem/G1

Em junho, o número de leitos de UTI SUS em Santa Catarina se manteve o mesmo. Porém, houve aumento na quantidade de pacientes com Covid-19. No início desse mês, o número total de leitos UTI SUS no estado subiu de 1.316 para 1.376. A quantidade de pessoas internadas com coronavírus também continuou aumentando.

Santa Catarina atingiu a marca de 10 mil casos confirmados em 3 de junho. O número de pacientes continuou subindo. No final do mês, já era comum o estado registrar mais de 1 mil novos casos em 24 horas.

Em 1º de junho, o Governo de Santa Catarina anunciou um plano regionalizado das ações, passando para as prefeituras a responsabilidade de decidir pelas restrições de combate ao coronavírus.

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Entre as flexibilizações autorizadas esteve a liberação do transporte coletivo. Ela ocorreu em 8 de junho em cidades como Joinville, no Norte, Criciúma, no Sul, Lages, na Serra, e São José, na Grande Florianópolis. Em 15 de junho, o serviço voltou em Blumenau, no Vale do Itajaí, Imbituba, no Sul e cidades do Oeste, como Concórdia e a região de Joaçaba. Na capital, a volta ocorreu em 17 de junho.

As regiões que maior aceleração do contágio no mês foram o Litoral Norte e a Grande Florianópolis. Prefeituras dessas áreas chegaram a adotar medidas mais restritivas.

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Na Foz do Rio do Itajaí, onde ficam as cidades do Litoral Norte, a ocupação de leitos de UTI SUS passou de 80% no final do mês. Na Grande Florianópolis, a taxa ultrapassou os 60%. Em junho, o estado teve um total de 17.317 casos confirmados de Covid-19, com 198 mortes, conforme o Necat.

Taxa de ocupação de leitos UTI-Covid e UTI geral junho e início de julho (veja nos gráficos abaixo - clique para ampliar).

Taxa de ocupação de leitos de UTI SUS em SC em junho e início de julho

Reprodução/Governo de Santa Catarina

No meio de julho, a taxa de ocupação da UTI SUS em Santa Catarina passou de 80% pela primeira vez. Contudo, o número de leitos abertos continuou aumentando e no início de agosto a taxa voltou a ficar abaixo dessa marca.

Muitas vezes, houve crescimento do número de vagas, mesmo sem haver queda na quantidade de pacientes com Covid-19.

Em julho, a capital chegou a ter 97,16% dos leitos de UTI para adultos ocupados. Balneário Camboriú voltou a registrar 100% de ocupação nos leitos do Hospital Ruth Cardoso. A Justiça chegou a intervir e a determinar a transferência de pacientes para outras unidades.

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Joinville atingiu, no início do mês, 95% de ocupação dos leitos de UTI do Hospital Municipal São José destinados à Covid-19. O Hospital Regional Hans Dieter chegou a 100% de lotação.

Na segunda quinzena do mês, em 17 de julho, o governo do estado publicou um decreto com medidas mais restritivas para as sete regiões do estado em situação gravíssima por causa do coronavírus, com suspensão do transporte coletivo. Entre as áreas afetadas estavam a Grande Florianópolis e o Litoral Norte.

Taxa de ocupação de leitos UTI-Covid e UTI geral de meados de julho a agosto (veja nos gráficos abaixo - clique para ampliar).

Taxa de ocupação de leitos de UT SUS em SC de meados de julho a agosto

Reprodução/Governo de Santa Catarina

Em agosto, houve queda no número de pacientes com Covid-19, mas aumento no número de leitos ativos, o que resultou na diminuição da taxa de ocupação.

"Pela primeira vez, observou-se que um conjunto de indicadores apresentaram por semanas consecutivas tendências de queda. Dentre eles, destacam-se: a taxa de crescimento do número total de casos caiu expressivamente por três semanas consecutivas; a média semanal móvel dos casos também caiu de forma expressiva nas duas últimas semanas de agosto; e o tempo necessário para aumentar em mais 10 mil casos, que na primeira semana de agosto chegou a 2 dias, voltou a aumentar para seis dias na última semana de agosto, indicando uma desaceleração no ritmo de contágio", escreveu Lauro Mattei no boletim de 29 de agosto da Necat.

No mês de agosto foi também quando o estado publicou a portaria com medidas restritivas que se tornaram o padrão a ser seguido no restante da pandemia.

Agosto teve 93.704 casos confirmados de coronavírus em Santa Catarina, com 1.158 mortes, conforme o Necat. Os dados do mês seguintes mostraram a desaceleração do contágio: foram 37.701 novos pacientes com Covid-19 e 537 óbitos em setembro.

Em 1º de setembro, foi a primeira vez que Santa Catarina teve mais do que 1,5 mil leitos de UTI SUS durante a pandemia.

"Observou-se que ao longo do mês de setembro um conjunto de indicadores continuou apresentando tendências de queda", disse Matei no boletim do início de outubro. Segundo ele, tanto os casos como óbitos regrediram "de forma sequencial em todas as semanas de setembro".

Taxa de ocupação de leitos UTI-Covid e UTI geral de setembro a início de outubro (veja nos gráficos abaixo - clique para ampliar).

Taxa de ocupação de leitos de UTI SUS em SC em setembro e início de outubro

Reprodução/Governo de Santa Catarina

Novo pico

Com a diminuição do número de pacientes de Covid-19, também o número de leitos de UTI teve a mesma tendência em outubro. No dia 20, a quantidade de Unidades de Terapia Intensiva já era menor do que 1,5 mil.

O presidente da Federação dos Hospitais e Estabelecimentos de Serviços de Saúde do Estados de Santa Catarina (Fehoesc), Giovani Nascimento, relembrou o que ocorreu nesse período.

"Tínhamos contrato com o Ministério de Saúde para leitos exclusivos Covid por um tempo. O tempo se expirou e o número de pacientes também diminuiu. Não tinha razão para se renovar aqueles leitos de UTI Covid. Chegou essa segunda onda, a coisa chegou a avolumar, tivemos transtornos. Quem habilita os leitos é o Ministério da Saúde. Nesse tempo de credenciamento, houve um certo travamento da abertura desses leitos", disse.

UTIs voltaram a ficar lotadas em outubro, após registro de aglomerações em setembro. Houve praias lotadas, mesmo quando as regras em vigor não permitiam que as pessoas permanecessem na areia. Também foi definida lotação máxima em templos religiosos, que puderam abrir mesmo em regiões com risco gravíssimo para a doença. No Sul, algumas cidades decidiram ampliar horário de funcionamento de bares, restaurantes e similares.

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A lotação nas praias continuou em outubro, principalmente no feriadão do dia 12. Nesse mês, o número de pessoas contaminadas voltou a subir. Outubro teve 43.462 novos pacientes com Covid-19, mas teve número de mortes menor do que setembro: 317. Os dados são do Necat.

Os boletins do núcleo de estudos indicam que houve aumento no número de casos, principalmente na Grande Florianópolis. Na região, os hospitais ficaram lotados na última semana de outubro e os pacientes tiveram dificuldades para encontrar leitos vagos. A taxa de ocupação passou dos 70% na área, a maior entre todas as regiões do estado.

Taxa de ocupação de leitos UTI-Covid e UTI geral no final de outubro e novembro (veja nos gráficos abaixo - clique para ampliar).

Taxa de ocupação de leitos de UTI SUS em SC no final de outubro e novembro

Reprodução/Governo de Santa Catarina

Novembro representou um grande aumento do número de contaminados em Santa Catarina. Foram 105.404 novos pacientes, mais do que o dobro de outubro. O número de mortes por Covid-19 foi de 648, também maior do que o dobro do mês anterior, segundo o Necat.

Hospitais de Balneário Camboriú e o Hospital Regional do Oeste, em Chapecó, Oeste catarinense, registraram lotação em alas de Unidade de Terapia Intensiva já no início do mês.

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O registro de aglomerações continuou em novembro e a polícia precisou intervir em festas clandestinas.

Em 22 de novembro, o estado voltou a ultrapassar a marca de 80% de taxa de ocupação de leitos de UTI SUS. A oferta de leitos foi também aumentando no período. A região Oeste já estava em dificuldades nesse período.

Taxa de ocupação de leitos UTI-Covid e UTI geral em novembro e dezembro (veja nos gráficos abaixo - clique para ampliar).

Taxa de ocupação de leitos de UTI SUS em novembro e dezembro em SC

Reprodução/Governo de Santa Catarina

Situação era possível de prever

A professora do departamento de Saúde Pública da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) Alexandra Boing afirmou era possível prever o crescimento no número de pacientes, desde setembro.

"As projeções já indicavam o número aumento de casos e, mesmo assim, o poder público não realizou as intervenções necessárias para enfrentar a situação que já estava sendo vislumbrada. O RT, número de transmissibilidade, bastante elevado significa que o vírus tem se disseminado de forma descontrolada no estado", disse a especialista.

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"Esse fato, associado a uma grande quantidade de população infectante, às aberturas dos setores econômicos, à reabertura de escolas, às festas de final de anos, à chegada da temporada de verão e à baixa capacidade governamental de resposta, faz com que a situação esteja sem controle", completou.

Já o Superintendente de Serviços Especializados e Regulação da Secretaria de Estado da Saúde, Ramon Tártari, destacou que o estado sempre teve leitos disponíveis durante a pandemia.

“Tivemos, desde o início da pandemia, dois momentos agudos, de maior ocupação: na última semana de julho, primeira semana de agosto, e no final de novembro, início de dezembro", diz.

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"Mas ainda assim, naqueles dois momentos, não houve colapso do sistema. A gente chegou a uma quantidade menor do que uma centena de leitos disponíveis, mas, em todos os dias, mesmo nos piores dias, tivemos leitos disponíveis”, disse.

Dezembro teve um número ainda maior de novos casos confirmados de Covid-19: foram 128.239 e 1.491 mortes. O mês teve recorde no número de pessoas em tratamento contra a doença, mais de 30 mil, e aglomerações em praias e festas eram comuns nos finais de semana. O estado chegou a ter todas as regiões em risco gravíssimo para a doença pela primeira vez.

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Luiz Souza/NSC TV

No final de dezembro, com a alta temporada de verão, o estado teve ainda mais flexibilizações: a permanência em praias, rios e lagos foi autorizada, além da ocupação de 100% em hotéis, aberturas de casas noturnas a partir do risco grave, eventos sociais e cinemas e teatros.

Essas flexibilizações, com exceção relacionada à praia, foram alvo de vai-vem na Justiça, que inicialmente havia mandado o estado voltar a um grau mais restritivo. Porém, o Tribunal de Justiça, por fim, autorizou o relaxamento das medidas.

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Desde 29 de dezembro, o estado voltou a ter mais de 1,5 mil leitos de UTI SUS. Atualmente, a situação mais complicada é no Oeste do estado, onde há poucas vagas de UTI-Covid na rede pública nos quatro hospitais da região desde janeiro.

A situação se agravou em fevereiro, quando por vários dias não houve um único leito de UTI disponível para pacientes com coronavírus.

Taxa de ocupação de leitos UTI-Covid e UTI geral no final de dezembro e em 2021 (veja nos gráficos abaixo - clique para ampliar).

Taxa de ocupação de leitos de UTI SUS em SC no final de dezembro e 2021

Reprodução/Governo de Santa Catarina

Em janeiro, os números continuaram aumentando e situação ficou mais crítica no Oeste. “Janeiro voltou a subir com força e está ainda mantendo uma ascensão no mês de fevereiro", disse o pesquisador em Saúde Pública da Fiocruz Marcelo Gomes em entrevista ao Jornal do Almoço.

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Segundo ele, as festas de final de ano contribuíram para o aumento das internações em 2021. “A gente está aqui com os dados, datas dos primeiros sintomas, mais próximo de quando a pessoa se infectou. Porque a gente tem aí, mais ou menos, por volta de quatro a cinco dias entre a pessoa se infectar e começar a apresentar sintomas. Se a gente viu aumento ali na primeira semana de janeiro é justamente casos de infecção quando? Final de dezembro. E está mantendo essa ascensão na Grande Oeste”, disse ele, que comentou ainda sobre a falta de leitos.

“A gente sabe que, infelizmente, essas internações são internações longas. A gente está falando de uma, duas, três semanas. Se a cada semana a gente está aumentando o número de novos casos que precisam se internar e cada uma dessas internações vai levar na ordem de duas semanas, não tem jeito, começa a falta leito”, afirmou o pesquisador da Fiocruz.

Restrições contra a Covid, após flexibilizações

Em janeiro, houve ainda mais flexibilizações no quesito do horário de atendimento de bares e restaurantes. Uma das cidades em que houve esse relaxamento foi Chapecó, que posteriormente teria 100% das UTIs-Covid SUS ocupadas no Hospital Regional do Oeste. As aglomerações em festas continuaram.

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Ainda em janeiro, o estado também recebeu 11 pacientes de Manaus, para continuar o tratamento contra a Covid-19. Eles foram levados para duas unidades de saúde em Florianópolis após o governo catarinense oferecer leitos para amenizar o cenário de colapso vivido no Amazonas. Segundo a Secretaria de Estado da Saúde, seis haviam tido alta até quarta (24), quase um mês após a internação.

Também foi em janeiro que começou a vacinação em Santa Catarina contra o corornavíus. Passado um pouco de mais de um mês do primeiro dia imunização e com população de mais de 7 milhões de habitantes, Santa Catarina imunizou 52 mil pessoas com as duas doses da vacina e aplicou a primeira dose em outras 107 mil pessoas, segundo balanço divulgado na quarta (24) pelo Estado.

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Em fevereiro, Chapecó vive o pior momento da pandemia segundo o diretor-administrativo do Hospital Regional do Oeste, Osmar de Oliveira. O prefeito, João Rodrigues (PSD), chegou a falar com "colapso" no sistema de saúde.

Durante o mês, os quatro hospitais da região, Hospital Regional Terezinha Gaio Basso, em São Miguel do Oeste, Hospital São José de Maravilha, Hospital Regional São Paulo, em Xanxerê e o Hospital Regional do Oeste enfrentam falta de leitos de UTI SUS.

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Em 2021, mais de 100 transferências de pacientes da região Oeste foram feitas, o que causou lotação nos hospitais da Serra, que chegou a ter apenas uma vaga em 19 de fevereiro. Além do Oeste, as regiões da Foz do Rio Itajaí e Meio-Oeste e Serra todas tinham taxa de ocupação de leitos de UTI SUS acima de 90% em 22 de fevereiro.

Pacientes na emergência do Hospital Regional São Paulo, em Xanxerê, aguardam leitos em 22 de fevereiro

Ana Lucietto/HRSP/Divulgação

Ainda em 22 de fevereiro, o Estado determinou a suspensão das cirurgias pré-agendadas em todos os hospitais catarinenses, sejam públicos ou privados. Também foi aumentado o número de leitos. O estado também disse em 23 de fevereiro que possui R$ 600 milhões para ativação de leitos de UTI na rede privada, se for necessário. No entanto, diretores de hospitais privados também relatam falta de vagas.

Também foi em fevereiro que Santa Catarina confirmou os primeiros casos da variante brasileira do coronavírus, todos importados de outros estados.

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Custo dos leitos

O superintendente do Ministério da Saúde em Santa Catarina, Rogério Ribeiro, explica que os leitos de UTI SUS exclusivos para a Covid-19 são pagos pelo ministério.

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"Uma vez que o secretário de Estado entende que é preciso mais leitos, pede para nós do Ministério da Saúde. Enviamos para Brasília, solicitando a habilitação. Brasília analisa os critérios técnicos. Por exemplo, se pede 100 leitos, pergunta para onde, quais são os hospitais e municípios e analisa a situação da Covid e a questão da saúde como um todo, já que não se está atendendo não só Covid", explicou o superintendente. O Estado, porém, deve arcar com as demais despesas.

"O Estado tem que atender às portarias do Ministério da Saúde. Precisa ter quantidade de profissionais de saúde, informar quantos médicos, quantos enfermeiros, hospitais têm que estar com os equipamentos. O estado monta, depois a gente paga", esclareceu.

Segundo o superintendente, o preço do leito de UTI-Covid se manteve o mesmo em todos esses meses de pandemia. "Nós pagamos para um leito normal R$ 800, e dobra o valor Covid. O paciente Covid precisa de um atendimento mais eficiente, mais eficaz. Um leito normal de outro paciente não precisa de tantos profissionais ali observando", afirmou.

"O valor de R$ 1,6 mil a diária que o ministério paga para os hospitais são para custeio do leito da Covid. Isso inclui tudo: equipamentos, insumos e profissionais, salário dos profissionais da saúde", explicou o superintendente

Desafios para abrir vagas de UTI

Para o presidente da Fehoesc, o maior impasse das unidades hospitalares catarinenses está na mão de obra e não só em estruturas físicas, como respiradores, tão destacados no início da pandemia.

"A dificuldade está até hoje no encontro de profissionais para atenderem a esses leitos. Enfermeiros, técnicos de enfermagem, médicos para atender os pacientes. Espaço físico, maquinário, resolve-se. Mas num segundo momento, o que persiste é esse problema de pessoal técnico", afirmou.

O problema da falta de profissionais da saúde foi citado recentemente pela Prefeitura de Chapecó, no Oeste, como um dos entraves na abertura de mais leitos no Hospital Regional do Oeste.

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A professora do Departamento da Saúde Pública da UFSC afirma que a ampliação do número de vagas na UTI é necessária, porém o foco deve ser em evitar que as pessoas se contaminem.

"Neste momento, é necessário ampliação de leitos em virtude do colapso do sistema de saúde na região. É fundamental para que os pacientes possam ter suas necessidades atendidas. Entretanto, os governos não devem continuar a insistir no erro de focar majoritariamente na provisão de leitos, já que isso é a gestão da consequência. Devem sim evitar que as pessoas fiquem doentes. Para tentar controlar a situação é necessário a implementação de medidas mais restritivas para que seja possível quebrar cadeia de transmissão do vírus".

O governo instalou um gabinete de crise para lidar com a situação da falta de leitos de UTI-Covid SUS no Oeste. Na terça-feira (23), o governador Carlos Moisés (PSL) viajou para Chapecó para tratar do tema. Na quarta (24), anunciou novas restrições por 15 dias, sem fechar serviços essenciais ou restringir circulação de pessoas.

O pesquisador da Fiocruz Marcelo Gomes também defende que não basta focar apenas no aumento do número de UTIs.

“Ter mais leito é uma medida paliativa para a gente não deixar de atender essa população. Mas não resolve o problema do aumento de casos. O que vai resolver é a gente mudar o nosso comportamento", disse.

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Fonte: G1 SC

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