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Pacientes morrem após transplantes de rim e de pulmão infectados por coronavírus, relatam estudos de caso

Por Marcos Antonio em 26/02/2021 às 16:00:41

Reprodução/American Journal of Transplantation

Duas mortes de pacientes após transplantes de rim e de pulmão foram relatadas neste mês pela revista especializada "American Journal of Transplantation". Os pacientes morreram devido à Covid-19, e os autores investigam se o desenvolvimento da infecção ocorreu por meio dos órgãos, de doadores para receptores.

O primeiro caso descrito pela revista foi observado por especialistas da faculdade de medicina da Universidade de Michigan, nos Estados Unidos. A doadora do pulmão não tinha um histórico de Covid-19 e apresentou um teste negativo por meio da coleta de secreção no nariz e faringe.

No entanto, os médicos relatam que não foi realizado um teste do Sars CoV-2 no sistema respiratório inferior, capaz de detectar o vírus no órgão que seria transplantado. Já o receptor do pulmão, três dias após a cirurgia, passou a apresentar febre, pressão baixa, dificuldade para respirar. O transplantado fez o exame com coleta de nariz e faringe, com resultado positivo para o coronavírus.

As suspeitas ficam maiores quando os médicos detectaram o vírus no fluído do pulmão. Um cirurgião, que participou do procedimento, desenvolveu a Covid-19. Assim, os médicos precisaram fazer uma comparação entre os materiais coletados no órgão antes e após a cirurgia, o que comprovou a origem do vírus: a doadora já tinha o Sars CoV-2 e passou para o transplantado.

O segundo caso foi publicado nesta quarta-feira (24) e foi relatado por pesquisadores da Universidade de Calgary, no Canadá. Um homem de 67 anos passou por um transplante de rim e morreu 10 dias após receber o órgão, em 10 de fevereiro.

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Os médicos não conseguiram identificar inicialmente a causa da morte, mas, depois, detectaram partes do Sars CoV-2 nos tecidos do rim transplantado e no pulmão do paciente. A proteína Spike, presente na coroa do vírus, também foi encontrada nas análises.

Os dois estudos apontam que a presença do Sars CoV-2 em tecidos transplantados pode ser fatal. De acordo com os pesquisadores americanos, a transmissão inesperada de uma infecção entre doadores e receptores é incomum e ocorre em menos de 1% dos casos.

"No entanto, a 'doença derivada do doador' está associada a resultados ruins, incluindo perda do órgão transplantado ou morte em cerca de um terço dos receptores. Os patógenos emergentes criam desafios específicos na avaliação de risco da transmissão de doenças. Os agentes infecciosos recentes mais preocupantes incluem a pandemia de influenza H1N1 (2009), vírus do Nilo Ocidental, vírus Ebola e vírus da zika".

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Fonte: G1

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