15/11/2021 às 17h51min - Atualizada em 16/11/2021 às 11h40min

Automedicação de antibióticos pode aumentar o risco de bactérias multirresistentes entre a população

Uma das razões de resistência a medicamentos é alvo da SOBRASP na Semana Mundial de Conscientização Antimicrobiana, de 18 a 24/11

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Infecções mais difíceis de tratar, aumento do risco de propagação de doenças, mais doenças graves e mortes. Quem usa antibióticos por conta própria imagina o impacto que causa no aumento da resistência bacteriana? Todos os anos, 700 mil óbitos são resultados de infecções multirresistentes, de acordo com relatório de 2019 da Organização das Nações Unidas (ONU).

Na Semana Mundial de Conscientização Antimicrobiana - que acontece todos os anos de 18 a 24 de novembro - a Sociedade Brasileira para a Qualidade do Cuidado e Segurança do Paciente (SOBRASP) chama a atenção para a responsabilidade de cada um no esforço de evitar a resistência microbiana, quando bactérias, vírus, fungos e parasitas passam a não responder mais aos medicamentos que até então os combatiam.


Segundo dados de 2019 da Organização Mundial de Saúde, a resistência microbiana pode tirar a vida de 10 milhões de pessoas, a cada ano, até 2050. Esses dados estão em revisão pela OMS por conta da pandemia, pois o uso de antibióticos na crise sanitária aumentou significativamente. Quase a totalidade dos que usaram o medicamento na pandemia afirmaram que acreditavam na prevenção da infecção, de acordo com pesquisa comportamental conduzida pela OMS em nove países europeus.


Tratamento interrompido e
uso do antibiótico por conta própria na próxima “crise”


No Brasil, a retenção da receita médica para certos medicamentos, entre eles os antibióticos - é praticada desde 2010 como mecanismo de controle. Porém, a interrupção dos tratamentos assim que os sintomas desaparecem faz com que o antibiótico comprado volte a ser usado numa próxima “crise”.

Claudia Vidal, diretora científica da SOBRASP e médica infectologista do Serviço de Doenças Infecciosas e Parasitárias do Hospital das Clínicas da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), dá como exemplo os estados gripais e alérgicos: “Mais de 90% das rinossinusites agudas são virais e não há necessidade de uso de antibiótico. Mas se a pessoa tem esse medicamento disponível em casa, termina por utilizar com a crença de que vai melhorar mais rapidamente dos sintomas”, diz.


Com relação aos profissionais de saúde responsáveis pelas prescrições, Cláudia destaca a importância de um diagnóstico correto que leve em consideração o quadro clínico do paciente e exames laboratoriais para a indicação do tratamento adequado.

“A dificuldade de acesso aos serviços de saúde, a escassez de recursos laboratoriais para um diagnóstico acurado das infecções e a dificuldade de retorno rápido do paciente, para um seguimento clínico em tempo adequado, podem precipitar o início de um antibiótico desnecessariamente. Quanto a isso, as soluções são mais complexas”, pontua.



Para a população em geral, a infectologista Claudia Vidal dá as seguintes orientações:

- Mesmo após a melhora dos sintomas, use o antibiótico no tempo e na dose prescritos pelo médico.
 
- Após o fim do tratamento completo, caso haja sobra do antibiótico, guarde em local seco e protegido de luz e calor. Use apenas se passar por nova consulta e o medicamento for novamente prescrito. Do contrário, descarte quando vencido.

- Familiares, amigos e vizinhos não podem indicar medicamentos. É preciso procurar atendimento profissional.


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