13/05/2021 às 16h50min - Atualizada em 14/05/2021 às 00h00min

Cashback fideliza cliente e puxa faturamento: como fazer na pequena empresa - O Estado de S.Paulo

Modalidade que devolve dinheiro em compras ajuda a atrair e reter clientela, mas é preciso atenção ao escolher plataforma; veja dicas para implantar no seu negócio

SALA DA NOTÍCIA O Estado de S.Paulo
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Modalidade de fidelização de clientes que dá “dinheiro de volta”, o cashback se tornou uma ferramenta com potencial para fazer as empresas crescerem. Ao devolver parte do valor da compra, o sistema ajuda a atrair consumidores e a dar visibilidade para o negócio. No entanto, oferecer esse tipo de retorno deve levar em conta as taxas e os termos do contrato com as empresas provedoras de cashback.

O sistema é o oposto do desconto, ou seja, um produto de R$ 100 com 20% de desconto sai a R$ 80 para o empreendedor, o que no final das contas pesa no caixa da empresa. Já com o cashback, o mesmo “desconto” volta para o lojista em uma próxima compra. Nesse caso, os lojistas pagam uma comissão aos sites de cashback, que dividem o montante com o cliente.

Para Felipe Rodrigues, CEO da startup Meu Dim Dim, plataforma de cashback que atende pequenos negócios no Brasil, o sistema de recompensa traz a sensação de ganho real ao cliente - e isso atrai novos consumidores e os fideliza. Mas, para funcionar para a pequena empresa, ele acredita que o sistema deve ser integrado. “Um processo automatizado, para não gerar um trabalho manual a mais.”

No caso da plataforma Meu Dim Dim, o empreendedor preenche o cadastro e indica a porcentagem de cashback que vai oferecer aos usuários. A alta demanda que a plataforma sofreu em 2020, reflexo do boom no comércio eletrônico durante a pandemia, ajuda Rodrigues a projetar um crescimento de 290% do Meu Dim Dim para este ano.

A marca Seculus é uma das empresas que fazem uso da plataforma, desde novembro do ano passado, como meio para oferecer dinheiro de volta aos consumidores. 

Segundo Lilian Berger, head de produto e digital do grupo (também dona da marca de relógios Mondaine), a modalidade representa 5% do faturamento. “Entendemos que o cashback é uma forma saudável para o consumidor. É uma estratégia muito sustentável e sem conflito.”

cashback Cuponeria

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Os sócios fundadores da Cuponeria Thiago Brandão e Nara Iachan: desde 2020 com cashback.  Foto: Claudio Pepper

Berger afirma que, em março deste ano, houve uma retração nas vendas provocada pelo agravamento da covid-19 no Brasil. No entanto, a expectativa é que, em maio, o Dia das Mães retome o faturamento dos meses anteriores, o que deve fazer aumentar o uso da modalidade de devolução de dinheiro, segundo ela.

“A estratégia é fomentar o cashback em datas comemorativas, porque o relógio é um produto muito presenteado, então, funciona bem com o nosso negócio”, afirma a executiva.

No caso da Seculus, o faturamento cresceu em torno de 60% desde a implantação do cashback. Para o ano de 2021, a expectativa é seguir crescendo. Somente o e-commerce do grupo deve alcançar a ordem de R$ 5 milhões. E é esperado que o faturamento da empresa para este ano seja de R$ 300 milhões, um crescimento de até 10%.

Como usar cashback na sua empresa

Para o especialista em cashback Sérgio Ferrari, fundador da LemoneyWay, empresa que implanta a modalidade, negócios de qualquer porte podem oferecer cashback como meio de benefícios ao cliente. “O cashback é o dinheiro do futuro.”

Thiago Brandão, cofundador da Cuponeria, que conta com 8 milhões de usuários, acredita que a estratégia para fidelizar os clientes pode ser aliada aos cupons de descontos, já que o cliente tem a oportunidade de ganhar benefícios em dobro.

“O cupom é um convite, e o cashback é a certeza de que o cliente vai voltar”, diz. Lançada em 2011 com foco em cupons, a Cuponeria viu mercado no cashback e no ano passado implantou a modalidade, por meio de seu Clube de Vantagens.

Os especialistas ouvidos dão dicas de como implantar cashback no pequeno negócio.

  1. Não crie a própria plataforma de cashback. Em alguns casos, empresas criam suas próprias ferramentas de devolução de dinheiro, mas, segundo Ferrari, implantar a modalidade requer alto controle de gestão, com pessoal e recursos tecnológicos, de que pequenos negócios não dispõem.
  2. Pesquisa a plataforma mais adequada ao seu negócio. Há inúmeras empresas oferecendo serviços de cashback com diversos preços cobrados. Fique atento à margem que é possível investir para não ter prejuízos.
  3. Ofereça porcentagens diferentes para cada produto. Como o faturamento do pequeno negócio não é o mesmo de uma empresa de grande porte e o capital de giro é menor, distribuir uma porcentagem sobre os produtos ajuda a equilibrar as contas.
  4. Invista em datas comemorativas. Os consumidores não deixaram de ir às compras e, impulsionado por essas datas, como o Dia das Mães, o gasto médio dos consumidores tende a aumentar. É um bom momento para explorar o cashback. 
  5. Seja transparente com o cliente. Ninguém gosta de ter surpresas quando o assunto é dinheiro. Todas as informações sobre o uso do cashback oferecido pelo pequeno negócio devem ser explicitadas de forma clara ao cliente, sem deixar dúvidas.

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Felipe Rodrigues, da Meu Dim Dim, projeta crescimento de 290% neste ano em sua plataforma.  Foto: Divulgação

Cashback na Bolsa de Valores

O crescimento do mercado de cashback no País pode ser exemplificado pela Méliuz, plataforma criada em 2011 e que, no fim do ano passado, abriu capital na Bolsa. No portfólio da startup mineira estão empresas como Americanas, Uber e Centauro.

O Cartão Méliuz, que oferece até 1,8% de cashback, fechou o primeiro trimestre deste ano com 4,5 milhões de solicitações, sendo 19 vezes o número registrado no mesmo período do ano passado.

“Acreditamos que é um sistema que desbloqueia as relações inteligentes de consumo”, pontua Luciano Valle, diretor de Relações Internacionais da empresa. A receita da empresa vem da comissão de vendas que geram para os parceiros a partir das contas abertas. No primeiro trimestre de 2021, a plataforma registrou a abertura de 2,4 milhões de novas contas.

O crescimento significativo fez com que a empresa comprasse a Picodi, uma plataforma de descontos da Polônia, e aumentasse o número de funcionários, que passou de quase 140 para pouco mais de 200 pessoas desde o IPO.

“Quando você pensa em empreender, você tem de se preocupar em construir as bases para o negócio crescer, além de buscar um time bom”, afirma o diretor.


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