20/12/2021 às 18h01min - Atualizada em 04/01/2022 às 00h01min

Lente Viva Filmes lança série "Sou Moderno, Sou Índio" trazendo o foco para a contemporaniedade indígena brasileira

A série, em cartaz no canal CINeBRASiL TV, foi realizada com equipe formada por indígenas

SALA DA NOTÍCIA Alisson Schafascheck
Depois de receber o Prêmio Especial do Júri da Categoria Jallalla no 16º Festival Arica Nativa, Chile, 2021, Sou Moderno, Sou Índio, série contemporânea que coloca a identidade indígena em foco e sua autenticidade em discussão, chega, com seus 13 episódios de 26 minutos, ao canal CINeBRASiL TV. A série produzida por Thiago Tambelli / Lente Viva Filmes, com direção de Carlos Eduardo Magalhães, mostra o aproveitamento e a ressignificação dos povos originários brasileiros através da aproximação da comunicação e com uma linguagem moderna, incluindo e explicando, ao longo de cada episódio, os diversos temas apresentados pelos personagens a partir do seu cotidiano nas aldeias ou nas cidades.
A sociedade ocidental guarda uma visão estereotipada sobre os povos originários. A imagem pré-concebida e vigente nas rodas sociais e na maioria dos meios de comunicação é aquela que diz que para ser realmente índio é preciso andar nu, falar ‘mim’ no lugar de ‘eu’, ser ingênuo e não ter acesso à tecnologia.  Qualquer indígena saindo desse padrão é identificado como um índio que perdeu suas raízes. Mas ser índio não é uma questão de cocar de pena, urucum e arco e flecha, algo aparente e evidente, mas sim uma questão de "estado de espírito".
A série Sou moderno, Sou Índio propõe um contraponto a esse imaginário vigente. Longe das figuras míticas de selvagem, preguiçoso, indolente e desinteressado, os personagens que constroem o tecido dramatúrgico da série são altamente ligados à tecnologia e participantes ativos do cotidiano urbano das mais diferentes maneiras, ao mesmo tempo em que também são intimamente ligados a seus povos e sua cultura. ´
Mesmo estando “plugados à rede”, filmando, escrevendo em português, cantando um rap ou ainda vivendo numa cidade grande e se utilizando de tecnologia de ponta, essas pessoas não perderam sua identidade. O indígena autêntico deste século busca sua ancestralidade ou os míticos que habitam as aldeias, sabe preservar o meio ambiente, é sábio e poderoso em suas crenças e, ao mesmo tempo, se relaciona com o que o mundo ocidental oferece de uma forma a ampliar ainda mais sua cultura e seus saberes. A série foca justamente no indígena da atualidade e dá voz a ele em toda a sua dimensão. Não há nada mais moderno no mundo contemporâneo do que ser indígena.
Sou Moderno, Sou Índio não só dá voz a diversos povos do Brasil – Guarani, Huni Kui, Ashaninka, Xucuru, Tukano, Guarani Kaiowá, Tupinambá, Baniwa, Wapixana, Guajajara, Yawanawá, Boe Bororo, Tikuna e Kokama –, como toda a equipe, desde a direção de fotografia, direção de arte, som direto, roteirista até a trilha sonora, é composta por profissionais indígenas. O Brasil e toda sua diversidade indígena em uma série inovadora.
No ar pelo canal CINeBRASiL TV – cuja programação traz documentários autorais investigativos e séries ficcionais inéditas, que refletem comportamentos, conflitos e relações humanas –, desde o início de dezembro, com um novo episódio a cada domingo, às 22h, e reprises durante a semana. A partir de janeiro de 2022, novos episódios.

Instagram: @indio.moderno

Sobre a Lente Viva Filmes
Lente Viva Filmes é uma produtora de filmes para Cinema e Televisão. Suas obras primam pela inovação estética e qualidade técnica. Temos o compromisso de produzir filmes críticos que retratem a cultura do povo brasileiro no contexto da américa latina e mundo.  Filmes como Garoto - Vivo Sonhando, Negro em Mim, Niède, Escolas em Luta, Entre os Homens de Bem, 20 Centavos, Triunfo e das Almas se destacaram no cenário nacional e internacional de festivais de cinema.
Atualmente a Lente Viva está finalizando o longa-metragem de ficção O Fantasma, coprodução internacional Chile/Brasil/Argentina, contemplado nos programas Ibermedia e FSA e o longa doc O Riso da dor, filmado no território da Cracolândia. 

Sobre Carlos Eduardo Magalhães
Em 2018 recebeu o prêmio Rigoberta Menchú no 28º Festival Présence Autochtone de Montreal, Canadá, com o filme Ara Pyau - Primavera Guaraní. A série da qual é autor e diretor, Sou Moderno, Sou Índio, obteve o Prêmio Especial do Júri da Categoria Jallalla no 16º Festival Arica Nativa, Chile, 2021. Assessora projetos no Brasil e na América Latina. Com destaque ao Bolivia Lab, Acampadoc, no Panamá e Mendoza Lab, na Argentina.

Ficha Técnica:
Sou moderno, Sou Índio
Uma produção Lente Viva Filmes
Série de TV com 13 episódios de 26’’
CINeBRASiL TV
Assessoria Indígena: Dedê Maia | Renata Machado Tupinambá
Argumento: Dedê Maia | Carlos Eduardo Magalhães
Direção: Carlos Eduardo Magalhães
Co-direção episódios 4,6,10 e 11: Priscila Tapajowara
Produção: Tiago Tambelli
Roteiros: Renata Machado Tupinambá | Inês Figueiró
Direção de Fotografia: Priscila Tapajowara | Wewito Pyako Ashaninka
Fotografia Adicional: Carlos Eduardo Magalhães
Direção de Arte: Denilson Baniwa
Assessoria Musical: Rádio Yandê
Som Direto: Caio Tupã
Pós-produção e Finalização: Videocubo
Edição: José Roberto Oliveira
Cor: Diogo Dias de Andrade
Animação Gráfica: Arthur Ruiz | Matheus Canto
Edição de Som: Ricardo Zollner
Personagens: Ailton Krenak | Sonia Guajajara | Joenia Wapichana | João Paulo Dsana | Kissibi Tukano | Carla Fer Tukano  | Ovídio Tukano | Benki Pyako Ashaninka | Raine Pyako Ashaninka | Zezinho Ashaninka | Bianca Ashaninka | Kunumi MC | José Tikuna | Camila Sateré | Kokama | Khamoshi Ashaninka | Franscisco Pukimabieteri Yanomami | Mauricio Iximaweteri Yanomami | Batista Iximaweteri Yanomami | Apolinário Yanomami | Melito Iximaweteri Yanomami | Denilson Baniwa | Isaka Huni Kui | Katu Mirim | Erisvan Guajajara | Junior Xucuru | Kiki Conzianza Kaiowá  | Zezinho Yube Huni Kui | Geni Macena Guarani | Letícia Yawanawá | Yaka Shawãdawa | Manoel Karaí Guarani | Eliane Potiguara | Joaquim Maná Huni Kui | Edivan Fulni-ôV | Gilearde Barbosa Pedro Kaiowá | Michele Perito Kaiowá | Renata Tupinambá | Anapuàká Muniz Tupinambá

Artistas e Músicas:
Nelson D: O sonho | Coaracipé | Nheenga-itã puxiwera | Romances e antropofagia | A grande revolta | Transcendência | Ela
Kunumi MC: Xondaro | Terra Ar Mar - Demarcação Já
Kaê Guajajara: Acalanto | Essa rua é minha | Território Ancestral
Edivan Funi-ô: Resistencia indígena | Carta do índio Galdino | Eu não sou índio pra gringo ver
Katú Mirim: Força | Não cansei
Brisa Flow: Fique viva
Benki Pyako Ashaninka: Sonho do Beija Flor
Zezinho e Raine Ashaninka: É Festa de Índio

Sinopses
Episódio 01
Sou Moderno, sou fora de série.
Diferentemente de outras séries, esse episódio só conseguiu ser concluído após o fechamento dos outros 12. Ele é uma apresentação da série e dos personagens. Somos apresentados aos mais de 30 personagens que no decorrer da série irão nos apresentar o conceito de etnomídia. O tema da modernidade indígena é um dos pilares do tempo novo, da vanguarda do conceito ser indígena. O conceito de etnomídia é colocado em três ocasiões no roteiro pelos comunicadores Anápuáka e Renata Tupinambá, da rádio Yandê.

Episódio 02
Sou Moderno, sou presente
Esse episódio é composto apenas por Ailton Krenak. Nosso mestre e principal referência na construção ideológica da série. Esse episódio é um poema sobre a tragédia. Assim como Krenak, o rio Doce ou "Atu" também é personagem. Do canto de agradecimento ao rio que luta por sua vida, as falas de Aílton vão ao encontro da desconstrução da ideia do índio genérico.

Episódio 03
Sou Moderno, sou político.
Episódio de política feminino, algo também novo na história do movimento indígena. Abrimos com Sonia Guajajara em campanha a vice-presidente do Brasil e depois a encontramos em Brasília para uma avaliação de sua participação nas eleições.
Passamos uma manhã com a primeira deputada federal indígena do Brasil, Joenia Wapichana, e acompanhamos seu trabalho nos bastidores juntamente com sua equipe.

Episódio 04
Sou Moderno, sou doutor
No centro de Manaus se encontra o primeiro centro de medicina indígena, a Basherikowi. Nas palavras do antropólogo do povo Tukano, João Paulo, ficamos conhecendo esse especial lugar onde se realizam curas - elucidando aqui que a maioria dos pacientes são não indígenas.
Ainda na Amazônia viajamos até o Acre para escutar o líder e Pajé Ashaninka Benki. Ele nos apresenta as medicinas da floresta. E também manda um recado duro para os não indígenas.

Episódio 05
Sou Moderno, sou músico
O rap já é uma das formas mais usadas de comunicação indígena. Há diversos grupos e artistas que servem a esse estilo musical. Kunumi MC é uma das principais vozes. Na intimidade da sua aldeia sentimos a batida perfeita.
Manaus é a cidade que mais têm indígenas vivendo. No seu lindo teatro encontramos o artista José Tikuna. Pioneiro em apresentações de rua na cidade, que agora vem sendo reconhecido e faz shows em novos espaços. Na outra parte vamos até ao Parque das Tribos, um lugar de muita luta e conflitos onde surgem artistas da resistência. O povo Kokama e Tikuna cantam suas ancestralidades.

Episódio 06
Sou Moderno, sou estudante
Aldeia Ashaninka Apitxa e sua escola diferenciada indígena. Acompanhamos a jovem Khamoshi em seu dia a dia. Esse episódio é o mais observacional da série. O silêncio do povo Ashaninka reflete o olhar para esse povo, que vive em um paraíso.
Aldeia Yanomami Ixima, quatro diretores de uma associação dos povos do alto Rio Negro, no Amazonas, estudam computação para não depender mais dos não indígenas.

Episódio 07
Sou Moderno, sou artista
Denilson Baniwa é um dos principais artistas plásticos brasileiros. O encontramos trabalhando em São Paulo e com ele aprendemos um pouco sobre arte contemporânea indígena. Denílson é nosso diretor de arte da série.
Isaka Huni Kuin. A ideia do que é ser artista se expande na figura desse mestre do alto Juruá do Acre. Pajé, escritor, cineasta, músico, alquimista e até desenvolvedor de videogame. Tudo ao mesmo tempo agora.

Episódio 08
Sou Moderno, sou contemporâneo
Katu Mirim. Temas polêmicos como autodeclaração e ativismo LGBT fazem parte do caldeirão dessa rapper paulistana de periferia.
Erisvan Guajajara é uma das figuras centrais da comunicação indígena no Brasil. Criador do Mídia Índia e articulador da Apib - Associação dos povos indígenas do Brasil. Com forte personalidade, é precursor da temática LGBT dentro do movimento.

Episódio 09
Sou Moderno, sou cineasta
Kiki Kaiowá vive em uma região no Mato Grosso onde acontecem os piores índices de violência e suicídio indígena. Para quebrar esse sistema, ele cria junto a outros parentes a Ascuri - Associação Cultural de Realizadores Indígenas. Um coletivo que em 5 anos já produziu mais de 100 vídeos. Pelas ruas do Rio de Janeiro e pela escola Darcy Ribeiro nos encontramos com esse guerreiro sensível do audiovisual.
Zezinho Yubë é um Huni Kui que vive em Rio Branco, Acre. É um dos alunos que frequentou o vídeo nas aldeias, escola de formação de cineastas indígenas de Vincent Carelli. Uma entrevista que fez com sua avó, adentrando a cosmovisão de seu povo através do resgate da memória.

Episódio 10
Sou Moderno, sou mulher
O protagonismo feminino novamente na série. A liderança Geni Macena, que vive na aldeia Itakupe, no Jaraguá, cidade de São Paulo, nos conta como transformou uma área desmatada por grileiros em uma fértil terra com plantações e água mineral.
Letícia Yawanawá é uma referência do movimento feminista indígena. Tem um espaço reservado dentro da Universidade do Acre, em Rio Branco, para desenvolvimento de seu trabalho e de suas parceiras.

Episódio 11
Sou Moderno, sou agricultor
Novamente Benki, mas agora em uma outra vertente, a de grande agricultor. Entre mudas e projetos ambiciosos, conhecemos o centro Yorenka Ãtame, em Marechal Thaumaturgo, no Acre. Referência de tecnologia florestal, idealizado e realizado por esse grande ambientalista.
Seu Manoel Karai é uma referência para o povo Guarani em São Paulo e no Brasil. Hoje curte sua aposentadoria de cacique semeando amor pela terra. Ao canto dos pássaros, temos uma aula sobre ecologia.

Episódio 12
Sou Moderno, sou da palavra
Eliane Potiguara é referência há muitos anos na literatura indígena. Fomos à sua cidade, o Rio de Janeiro, na frente da Academia de Letras, reivindicar o seu lugar de justiça no hall da intelectualidade brasileira.
Joaquim Maná, do povo Huni Kuin do Jordão, no Acre. Vem a ser o primeiro linguista com bacharelado universitário. Através de seu estudo, as escolas de seu povo são pioneiras na revolução educacional indígena.

Episódio 13
Sou Moderno, sou digital
Parceiros diretos da série, seus três fundadores são a matriz do pensamento da modernidade indígena.
Renata é a roteirista e assessora indígena da série. Denilson Baniwa é o diretor de arte e Anápuáka é o consultor musical. Da história da criação da rádio ao conceito de etnomídia, ficamos sabendo um pouco dessa trupe de revolucionários digitais.
 
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