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Morador de SC morre por causa da Covid-19 após esperar pelo mesmo tratamento usado por Paulo Gustavo

Por Marcos Antonio em 06/04/2021 às 21:31:57
Segundo a família, a Secretaria de Estado da Saúde de Santa Catarina não cumpriu liminar judicial que autorizava o tratamento. 'Poderia ter salvado a vida dele', diz advogado da família. Marcos Drumm era natural de Chapecó (SC) e morreu sem receber tratamento da ECMO, diz família

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Marcos Brumm, de 38 anos, morreu após complicações causadas pela Covid-19 em Rio do do Sul, no Vale do Itajaí, no início de março. Segundo a família, o morador e Chapecó, no Oeste catarinense, estava há 12 dias esperando o cumprimento de uma liminar judicial que obrigava o governo de Santa Catarina a dar início a terapia chamada ECMO – Oxigenação por Membrana Extracorpórea. O tratamento é o mesmo que está sendo utilizado pelo ator Paulo Gustavo.

"Os médicos têm muitos laudos mostrando a necessidade e importância do equipamento. Era essencial para salvar a vida do Marcos. Não se tinha garantia [de que iria funcionar no caso dele], mas seria sua última saída. O equipamento, apesar de caro, poderia ter salvado a vida dele", disse o advogado da família, Marcos Alberti.

O advogado afirma que no dia 20 de fevereiro a Justiça de Santa Catarina acatou o pedido do Ministério Público e deu até 48 horas para que o serviço de ECMO fosse iniciado pelo Estado, por meio da compra do equipamento ou por transferência do paciente até uma unidade que possuísse a terapia. "Marcos faleceu no dia 3 de março sem o atendimento", informou o advogado.

Segundo ele, a família pretende entrar como uma ação de indenização contra o Estado, mas ainda está lidando com o luto da perda. Marcos deixou a esposa e um filho.

De acordo com o advogado da família de Marcos, o serviço ECMO estava disponível hospitais públicos de Blumenau, no Vale, e Jaraguá do Sul, no Norte, e em uma unidade particular de Joinville, também no Norte do estado. Ainda segundo ele, a família foi informada que o Estado estava cotando o serviço em hospitais públicos e privados de Santa Catarina para realizar a transferência do paciente.

Procurada pelo G1 SC, a Secretaria de Estado da Saúde não respondeu aos questionamentos até às 18h desta terça-feira (6).

De acordo com a família, Marcos não tinha comorbidades

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A função da ECMO, segundo especialistas, é de "repousar o pulmão", tendo em vista que a Covid-19 causa inflação neste órgão. Com a terapia, o paciente passa a ter um equipamento que age como um pulmão artificial e oxigena o sangue fora do corpo.

Busca por tratamento na Justiça

Marcos recebeu o diagnóstico confirmando o coronavírus no dia 6 de fevereiro. De acordo com a família, ele era saudável e não apresentava comorbidades. Mesmo assim, desenvolveu a forma mais grave da doença (relembre a busca pelo tratamento no vídeo abaixo).

Morador de Chapecó busca por tratamento na justiça

Segundo a esposa, Eliane Drumm, Marcos deu entrada no Hospital Regional do Oeste com 50% do pulmão comprometido pelo vírus, no mesmo dia do diagnóstico. Em razão da falta de leitos na unidade na época, ele teve que ser transferido para a cidade vizinha de Xaxim no dia seguinte.

O supervisor de vendas ficou internado por 11 dias na enfermaria do Hospital Frei Bruno. Com a piora no quadro, segundo a família, foi transferido para Rio do Sul, no Vale catarinense, em 17 de fevereiro, onde foi intubado e ficou na Unidade de Terapia Intensiva (UTI).

No Hospital Regional Alto Vale o tratamento ECMO foi indicado pela equipe médica ao paciente. Mas, segundo o advogado responsável pelo caso, esse tratamento não é oferecido pelo Sistema Único de Saúde de Santa Catarina.

"A diretoria do Hospital Regional do Alto Vale buscou junto à regulação de leitos do estado de Santa Catarina a remoção do Marcos para outra unidade hospitalar que possuir o equipamento ECMO. Contudo, o Estado indeferiu o pedido, negando por um série de burocracia", afirmou o advogado.

ECMO era a "última saída" para Marcos vencer a Covid-19, disse advogado

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Com a transferência negada, a promotoria de Justiça de Rio do Sul entrou com uma liminar na Justiça pedindo que o Estado arcasse com o tratamento do paciente. O pedido foi aceito, mas de acordo com a família a liminar não foi cumprida.

"Marcos faleceu no dia 3 de março sem o atendimento. O Ministério Público de Santa Caarina (MPSC) foi instado a entrar com uma ação contra o Estado em razão da movimentação do próprio hospital. O Estado enrolou, usou de desculpa. Sempre justificando o que estava fazendo, que estava correndo atrás", disse o advogado.

Na época, no dia 25 de fevereiro, a Secretaria de Estado da Saúde informou, por nota, que a pasta estava seguindo os os trâmites para contratação do serviço de suporte de oxigenação por membrana extracorpórea ECMO junto à iniciativa privada. O MPSC não informou detalhes sobre o processo.

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Fonte: G1 SC

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