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Assalto a banco em Criciúma: entenda como estão as investigações após 16 pedidos de prisão preventiva

Por Marcos Antonio em 07/04/2021 às 10:25:33
O primeiro inquérito encaminhado ao MPSC envolve a ligação de organizações criminosas com o ataque. Treze mandados foram cumpridos e três pessoas seguem foragidas. Assalto a banco em Criciúma ocorreu em 2020 e as investigações seguem em andamento

Diorgenes Pandini/ NSC

Os 16 pedidos de prisão preventiva feitos na semana passada contra envolvidos no assalto a tesouraria regional do Banco do Brasil em Criciúma, no Sul catarinense, entre a noite do dia 30 de novembro e a madrugada de 1° de dezembro do ano passado, representam apenas uma parte da investigação sobre o roubo que é considerado o maior da história da Santa Catarina. Com o inquérito principal mantido sob sigilo, a Polícia Civil espera ainda o indiciamento de outros criminosos.

FOTOS: Imagens mostram rastro de violência do ataque

CRONOLOGIA: Entenda como ataque aconteceu

Por enquanto, o único inquérito encaminhado ao Ministério Público (MP) envolve a ligação de organizações criminosas com o assalto. Com mais de mil páginas, foi esse documento da Delegacia de Roubos e Antissequestro da Diretoria Estadual de Investigações Criminais (Deic) que embasou os indiciamentos, sendo que 13 já foram cumpridos e três pessoas ainda estão foragidas.

Crime foi registrado no centro de Criciúma

Diorgenes Pandini/ NSC

Conforme o pedido feito à Justiça, todos são investigados por crime de organização criminosa com emprego de arma de fogo, com pena prevista de até oito anos de prisão com possibilidade de acréscimo pela metade por causa do uso do armamento. Além disso, quatro suspeitos devem responder também pelo crime de uso de documento falso, com pena de até seis anos de prisão.

Segundo o delegado Anselmo Cruz, responsável pela investigação na Deic, entre os presos estão pessoas de Santa Catarina e de outros estados.

Segundo o MP, pelo menos seis ocupam funções importantes dentro da facção paulista responsável pelo assalto.

Quadrilha usou reféns para bloquear ruas em Criciúma e bloquear a aproximação da polícia

Reprodução / TV Globo

Enquanto isso, ainda segue a apuração do caso que envolveu o ataque ao banco, que apura os responsáveis pelos crimes de roubo e tentativa de latrocínio. Esse inquérito ainda não tem data para ser concluído, de acordo com a polícia.

"A investigação sobre o roubo continua e está avançando, tramitando em sigilo. É uma investigação da mais alta complexidade", disse Cruz.

O MP montou uma força-tarefa para acompanhar a investigação policial. Conforme o órgão, até o momento todos os pedidos de prisões, buscas e apreensões foram atendidos pela Justiça, facilitando o avanço da investigação.

Ao mesmo tempo em que caminham as investigações em Santa Catarina, sobre o assalto e também sobre a participação de facções criminosas, em outros estados do país são feitas investigações pontuais, com base em prisões de suspeitos encontrados com explosivos ou outros itens supostamente utilizados em Criciúma.

Relembre o assalto

Cronologia do assalto a banco em Criciúma

Arte G1

Com ação de pelo menos 30 criminosos, dez veículos e armamento de calibre exclusivo das Forças Armadas. As autoridades de Santa Catarina afirmam que este foi o maior assalto da história do estado. Os criminosos queimaram um caminhão, atiraram para o alto com armas pesadas e fugiram levando R$ 80 milhões.

Pelas principais ruas da região central do município, a quadrilha provocou incêndios, bloqueou ruas e acessos à cidade e usou pessoas como escudos - a polícia estima que entre 10 e 15 pessoas foram feitas reféns, seis delas funcionários do Departamento de Trânsito e Transporte (DTT) de Criciúma que pintavam faixas nas ruas da cidade.

Um policial militar ficou ferido na ação. Jeferson Luiz Esmeraldino ficou mais de dois meses no hospital. A informação da alta médica foi divulgada pela PM em 5 de fevereiro. O soldado de 32 anos deve continuar recebendo cuidados médicos em casa.

Criciúma é a mais importante cidade do Sul catarinense. Ela tem 217.311 habitantes, segundo estimativa do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o que a torna o quinto maior município do estado.

VÍDEO: Imagens mostram momento de tiroteio em Criciúma, SC

O que se sabe sobre o assalto em Criciúma

Cerca de 30 pessoas encapuzadas assaltaram uma agência do Banco do Brasil no Centro de Criciúma às 23h50 de 30 de novembro. A ação durou 1 hora e 45 minutos.

Pessoas foram feitas reféns e cercadas por criminosos; houve bloqueios e barreiras para conter a chegada da polícia.

Um PM ficou ferido e precisou passar por cirurgias.

Criminosos fugiram, e parte do dinheiro ficou espalhada pelas ruas.

Quatro moradores foram detidos após recolherem R$ 810 mil que ficaram jogados no chão devido à explosão durante o assalto.

Criminosos também deixaram 30 quilos de explosivos para trás. Polícia não sabe o total utilizado.

10 carros usados no assalto foram apreendidos em um milharal de uma propriedade privada em Nova Veneza, a noroeste de Criciúma.

A PM acredita, baseada em manchas de sangue encontradas nesses veículos, que pelo menos dois criminosos tenham se ferido.

Um galpão usado para a pintura desses veículos foi encontrado em 2 de dezembro. O local fica em Içara, cidade vizinha a Criciúma.

Em nota, o Banco do Brasil disse que funcionários não foram feridos e que não informa "valores subtraídos durante ataque às suas dependências".

As autoridades de Santa Catarina afirmam que este foi o maior assalto da história do estado.

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Fonte: G1 SC

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