10/01/2022 às 14h49min - Atualizada em 11/01/2022 às 11h32min

EAD impacta na melhoria do acesso à educação e à saúde

Giseli Cipriano Rodacoski (*)

SALA DA NOTÍCIA Giseli Cipriano Rodacoski
Laboratório modelo de práticas presenciais dos cursos de saúde em EAD da Uninter

O modo de ensino e aprendizagem não é o mesmo ao longo da história. Vivemos época na qual o ensino era centrado no professor, que repassava conteúdo aos alunos com o objetivo de transmitir o que fosse necessário para formar pessoas alinhadas ao que se desejava manter na época, em termos de organização social. Nos álbuns de fotografias e nas paredes da sala da reitoria nas grandes universidades brasileiras é possível observar turmas inteiras de formandos constituídas em sua grande maioria por homens jovens e brancos, que financiados por suas famílias, conseguiam se manter nos grandes centros urbanos onde as universidades estavam sediadas.

 

Apreciando as mudanças sociais pelos álbuns de fotografias, observamos que gradativamente não só as mulheres passaram a ser registradas nas fotos de formatura, mas também pessoas de todas as idades e etnias. A democratização do acesso ao ensino superior andou junto com a mudança paradigmática na forma de ensinar.

 

Passamos de uma pedagogia da transmissão para uma pedagogia da autonomia. Na pedagogia da transmissão o professor organizava sua prática pedagógica em tarefas que podem ser resumidas como: escute, leia, copie, decore, repita. Hoje os métodos de ensino não pressupõem mais um aluno passivo, cuja única fonte de luz e acesso ao conhecimento é o professor.

 

A revolução da Internet, desde os anos 2000 no Brasil, deu às pessoas a oportunidade de ter acesso a informações antes de domínio apenas dos professores ou pessoas mais poderosas. O acesso à informação por si só não garante que a mudança seja para melhor. Acompanhando estas transformações sociais o ensino incorporou as Tecnologias de Informação e Comunicação às salas de aula e os professores deixaram de ser os únicos detentores do saber para serem mediadores, tutores, que estão em relação dialógica com os alunos. O professor conduz e os alunos participam ativamente do processo de construção do conhecimento, resultando em profissionais menos dependentes.

O ensino não está mais centrado no professor e sim na sociedade. O desafio é atender necessidades sociais. O que a sociedade precisa para melhorar sua qualidade de vida?

Estudos mostram que nos últimos dez anos estudantes de graduação no Brasil estão relacionando problemas de saúde mental com fatores de risco. Dentre eles estão a dificuldade para conciliar estudo com outras atribuições como trabalho, cuidado com filhos pequenos e segurança pessoal – em deslocamentos noturnos, por exemplo, dificuldades financeiras com mensalidades e outros custos de permanência.

 

As instituições de ensino têm a missão de dar resposta à essa demanda, pela organização de projetos de ensino que sejam transformadores e não mantenedores de problemas sociais. A educação a distância é uma das respostas às necessidades sociais para ampliar e democratizar o acesso e viabilizar a permanência de estudantes em cursos de graduação. Não se trata de uma substituição pelo ensino presencial, mas de mais uma maneira de cursar o ensino superior.

 

Com metodologia semipresencial é possível planejar atividades que atendam a intencionalidade pedagógica, ou seja: os conteúdos teóricos podem ser estudados a distância e as habilidades técnicas desenvolvidas presencialmente.

 

Deste modo o ensino se oferece à sociedade como um serviço e não como um produto pronto a ser consumido. Estando à serviço da comunidade o ensino pode ser gerenciado pelos alunos conforme sua conveniência, no seu tempo, no lugar onde está, sem que ele precise sair do território onde vive para consumi-lo em outro lugar. Já não é mais o prédio que centraliza, mas sim as conexões.

 

*Giseli Cipriano Rodacoski é psicóloga, especialista em psicologia hospitalar, mestre em educação, doutora em biotecnologia para a saúde da criança e do adolescente, e coordenadora dos cursos de graduação de Psicologia e Psicanálise do Centro Universitário Internacional Uninter.


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