19/05/2021 às 15h54min - Atualizada em 19/05/2021 às 16h50min

Paciente com tumor vertebral é a primeira na América Latina a ser operada, em Curitiba, com a união de três equipamentos inovadores

SALA DA NOTÍCIA PAULA BATISTA
Divulgação
      Uma paciente de 60 anos foi a primeira operada no final do mês de abril, em Curitiba (PR) com a junção de três equipamentos inovadores na área médica. Apesar de serem usados isoladamente em alguns casos, só na capital paranaense, no Pilar Hospital, se tem essa tecnologia em conjunto para a utilização nos procedimentos cirúrgicos de alta complexidade, como é o caso das neurocirurgias, cirurgias oncológicas, gerais, entre outras.
            A paciente é a primeira na América Latina a poder contar com esses equipamentos atuando em conjunto: Brainlab Curve Image Guided Surgery, Zeiss Kinevo 900 e tomógrafo intraoperatório Airo, que auxiliam cirurgiões em procedimentos altamente precisos. Ela passou por uma cirurgia na coluna visando ao tratamento de um tumor que cresceu a partir de uma das raízes nervosas cervicais para dentro do canal medular, causando a compressão de sua medula espinhal.
“Tratava-se de uma lesão extremamente vascularizada e essa paciente já tinha sido submetida, há um ano, a uma tentativa de intervenção cirúrgica, em outro serviço, para ressecar essa lesão. Infelizmente, durante aquela cirurgia, houve um sangramento muito profuso do tumor e não foi possível a solução completa, sendo feita uma ressecção parcial”, conta o neurocirurgião Dr. Luiz Roberto Aguiar.
            Após a primeira tentativa cirúrgica a paciente passou a apresentar déficit neurológico motor no braço direito. Durante o período de quase um ano apresentou exacerbação dos sintomas com piora da paralisia e dor. “Ela nos foi indicada, fizemos os exames necessários para diagnóstico e uma programação de operá-la com uma tecnologia que envolveu, em primeiro passo, a desvascularização completa do tumor por embolização pré-operatória dessa lesão, o que foi levado a efeito por uma técnica endovascular. Por acesso na artéria ilíaca foi colocado um micro cateter nos vasos que nutriam o tumor e realizada a embolização”, explica o cirurgião.
            Passado esse processo, a paciente foi levada para a sala de cirurgia e posicionada para ser operada. “Neste momento, começamos com o uso do recurso tecnológico mais atual, que é a tomografia intraoperatória”, conta o neurocirurgião Dr. Leo Ditzel Filho. “Assim, antes de começarmos a dissecar o tumor da paciente, fizemos a incisão de pele e colocamos um sistema de referência de navegação na sua vértebra. Com um giro de 180 graus, a mesa cirúrgica, construída de fibra de carbono, portanto transparente aos raios-X e comandada por controle remoto posiciona a paciente para aquisição das imagens no Tomógrafo Airo, que está instalado na sala de cirurgia. Trata-se de um tomógrafo de 32 canais, de alta resolução. Essa tomografia é adquirida em questão de segundos (30 a 40 segundos para fazer a imagem) e os dados são transferidos automaticamente para o sistema de navegação. Neste momento temos as imagens de ressonância magnética pré-operatórias da paciente e a imagem real, nesse momento da cirurgia”, completa.
            Segundo Dr. Aguiar, a grande dificuldade que se observava nesta situação é que nem sempre a imagem pré-operatória coincidia com a situação real do posicionamento da coluna da paciente na mesa cirúrgica, pois foi adquirida em posição diversa à que o paciente se encontra na sala de cirurgia.  O sistema computadorizado AIRO/CURVE, através de um software de inteligência artificial, ao capturar a imagem tomográfica com a paciente posicionada para a cirurgia faz uma fusão das imagens (uma vez que são da mesma paciente). Para isto utiliza um software que promove uma “deformação elástica” do exame pré-operatório. Como as vértebras são fixas, o que muda é a posição relativa entre elas. O sistema de navegação realinha as mesmas vértebras, na posição em que elas se encontram neste momento.
“A diferença não é grande, explica o Dr. Aguiar, mas a precisão necessita ser absoluta, com uma possibilidade de erro menor que 1 milímetro.” Neste momento começa a cirurgia propriamente dita, com técnica de microcirurgia. O cirurgião, olhando através do microscópio o campo cirúrgico, enxerga uma imagem holográfica, tridimensional, que representa as estruturas relevantes que foram previamente definidas, como a medula espinhal, as raízes nervosas, os vasos e o próprio tumor. “Então, mesmo no meio de toda a fibrose cicatricial da cirurgia anterior e com toda dificuldade de visualização do tumor, que invadia e destruía parcialmente o tecido ósseo e envolvia a artéria vertebral, nós sabíamos exatamente onde estavam os limites superior, inferior, lateral e medial da lesão, e ainda, onde estavam a medula espinhal, os nervos e a artéria vertebral. O procedimento microcirúrgico de dissecção e ressecção do tumor, extremamente delicado, é auxiliado pela monitorização neurofisiológica, realizada por um médico especialista em neurofisiologia, que fica mapeando as funções neurológicas, motoras e sensitivas, enquanto o cirurgião trabalha.” lembra.
“Graças a todos os recursos tecnológicos e ao trabalho interdisciplinar de uma equipe de 19 pessoas, muito bem treinadas, incluindo vários médicos, enfermeiros, técnicos e engenheiros médicos a recuperação da paciente se deu de maneira exemplar. Já durante a cirurgia observamos uma melhora nos potenciais motores no braço direito, que estavam alterados, e no pós-operatório imediato observamos excelente recuperação da função, que deverá voltar ao normal, e remissão completa da dor” salienta o Dr. Luiz Roberto Aguiar, que coordenou a equipe cirúrgica.

Trio tecnológico traz a realidade virtual e inteligência artificial para o tratamento de doenças complexas em Curitiba
Brainlab Curve Image Guided Surgery, Zeiss Kinevo 900 e tomógrafo intraoperatório Airo são utilizados pela primeira vez em conjunto, na América Latina, e auxiliam cirurgiões em procedimentos altamente precisos em Curitiba (PR).
Cirurgias inovadoras, desde então, vêm sendo feitas no Pilar Hospital que são possíveis apenas pelo uso desses equipamentos, como é o caso de sistema de navegação Brainlab Curve conectado com o microscópio Zeiss Kinevo 900, que é o mais moderno sistema de neuronavegação existente. O sistema de navegação, com auxílio de poderosos softwares de inteligência artificial, reconhece e individualiza automaticamente as diversas estruturas cerebrais e da coluna vertebral a partir de exames de ressonância magnética permitindo, inclusive, a reconstrução tridimensional do conectoma cerebral, isto é, o sistema de fibras que forma os circuitos cerebrais”, explica o neurocirurgião Dr. Luiz Roberto Aguiar.
            E o apoio da tecnologia começa antes mesmo da cirurgia. No pré-operatório, numa estação de planejamento instalada nas dependências do hospital, o cirurgião faz uma simulação tridimensional do procedimento, estabelece alvos e trajetórias e identifica todas as dificuldades que poderão surgir. “Durante a cirurgia, estas imagens, obtidas do planejamento, são enviadas pelo neuronavegador Brainlab para o Sistema de Visualização Robótica KINEVO 900 da Zeiss e, mediante injeção de imagem, o cirurgião recebe, em sua retina, a visão multidimensional do campo operatório, com imagens holográficas tridimensionais que mostram não só a localização precisa da lesão, mas toda a estrutura cerebral adjacente”, destaca o neurocirurgião Dr. Leo Ditzel Filho.
            Para completar esse amplo acervo tecnológico, o Pilar recebeu, no primeiro trimestre deste ano, o primeiro tomógrafo intraoperatório de alta resolução Airo do Brasil, de procedência americana, da marca Mobius, projetado para funcionar de forma harmonizada com o sistema Curve da Brainlab.
            “Totalmente integrado a uma moderna mesa cirúrgica de fibra de Carbono, o Airo adquire imagens durante a cirurgia que são automaticamente transferidas para o neuronavegador, oferecendo uma correlação entre as imagens obtidas e a realidade do paciente, resultando num processo extremamente rápido e preciso de registro para a navegação. Permite que estruturas anatômicas ósseas ou nervosas sejam reconhecidas pelo cirurgião mesmo quando não visíveis na superfície do corpo (antes da realização da incisão de pele). Um sofisticado sistema computadorizado de processamento de imagens cria um ambiente virtual (realidade aumentada) que projeta todas as estruturas e lesões a serem tratadas no espaço visual do cirurgião, com absoluta precisão”, comenta o neurocirurgião Dr. Luiz Roberto Aguiar.

 
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