28/04/2021 às 09h33min - Atualizada em 28/04/2021 às 09h33min

Neurologista explica sequelas neurológicas da Covid-19.

Repórter Marcos Antônio - Marcos Imprensa
Do total de pessoas que passam pela fase aguda da Covid-19, cerca de 36% têm algum problema neurológico, sendo que os principais são dor de cabeça, perda de olfato/paladar, alteração na consciência e tontura, segundo levantamento feito pelo neurologista do Hospital Universitário Professor Polydoro Ernani de São Thiago (HU-UFSC/Ebserh), Luiz Paulo de Queiroz, que é responsável pelos ambulatórios de Cefaleia e Neurologia Geral do hospital. Conforme Queiroz, os problemas agudos são tratados durante a internação hospitalar do paciente com Covid-19, mas há casos de pacientes que apresentam estes sintomas mesmo após a alta e, nos casos em que estes problemas persistem após passado mais de um mês, são classificados como sequelas da doença, ou Síndrome Pós-Covid-19. Segundo ele, até 70% dos pacientes que tiveram casos graves sofrem com estes sintomas persistentes.
 
Os levantamentos realizados pelo médico foram apresentados em um evento científico virtual organizado pela Sociedade Brasileira de Cardiologia – Secção Santa Catarina, mostrando a visão de profissionais de várias áreas (um cardiologista, um pneumologista, um psiquiatra e um neurologista). O evento, fechado para especialistas, atraiu 167 participantes, número considerado significativo, expressando a dimensão do interesse da comunidade científica sobre o tema.
 
Luiz Paulo de Queiroz disse que as manifestações neurológicas nos casos de Síndrome Pós-Covid-19 ocorrem em 20% a 70% dos pacientes – sendo a faixa menor para os casos leves e a faixa maior para os casos graves. A queixa mais frequente apresentada pelos pacientes curados de Covid é a fadiga persistente, casos em que a pessoa relata dificuldade para realizar tarefas cotidianas, como levantar-se ou subir alguns degraus, por exemplo.
 
O médico explicou que os pacientes reclamam ainda de dor de cabeça (cefaleia), numa faixa de 38% dos casos em seis meses após a alta. Segundo ele, ocorrem casos de dores novas e persistentes ou aumento da sensação de dor no caso de cefaleias que o paciente já tinha (enxaqueca). Outros sintomas comuns de Síndrome Pós-Covid-19 são a perda do olfato e/ou paladar e o chamado “brain fog” ou embotamento mental, quando o paciente apresenta redução da memória, dificuldade de concentração, déficit de atenção e dificuldades na linguagem, por exemplo.
 
Queiroz explicou que os pacientes devem receber acompanhamento de equipes multidisciplinares após a alta. Casos identificados como problemas neurológicos são encaminhados para o ambulatório do HU. Há, ainda, pacientes que procuram o serviço de atenção básica à saúde e são encaminhados para acompanhamento e tratamento neurológico, se for o caso.
 
Unidade de Comunicação Social/Hospital Universitário Professor Polydoro Ernani de São Thiago/HU-UFSC
 
Fonte: Ufsc

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