28/02/2022 às 14h24min - Atualizada em 01/03/2022 às 00h00min

Autotestes de covid-19 no Brasil são ferramentas vitais para conter a disseminação do vírus

Autorização de comercialização do produto no Brasil deve ajudar a população a orientar e reduzir a propagação da doença

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Agência Brasil
É consenso entre os especialistas que uma política nacional efetiva de combate à disseminação da covid-19 passa pela massificação dos testes e a adoção de isolamento social dos pacientes infectados. Com a primeira autorização, para venda do autoteste pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), essa realidade aparenta ficar mais próxima, a agência recebeu 68 pedidos de registros, 10 foram reprovados e até agora um foi liberado. O desafio agora é que se faça a instrução adequada sobre a utilização do produto - principalmente em meio à nova onda de transmissões provocada pelo alto nível de propagação da variante Ômicron.
Uso correto do autoteste, momento certo de utilização e necessidade de isolamento após o resultado positivo são algumas das maiores preocupações entre os especialistas da área.
O objetivo dos autotestes é permitir que seja realizada uma identificação mais ágil dos casos de infecção por covid-19, permitindo que as pessoas que obtiverem um resultado positivo possam tomar as medidas de isolamento necessárias e comunicar as pessoas próximas com quem tiveram contato. Mesmo que a própria Anvisa alerte que tais dispositivos não são suficientes para um diagnóstico definitivo, eles funcionam como uma ferramenta adicional para incentivar as pessoas a adotarem as medidas adequadas durante o período de transmissão da doença.
O autoteste não substitui o teste confirmatório com laudo, feito pelo profissional, mas pode ajudar a democratizar a testagem e o acesso ao diagnóstico da doença. As pessoas querem saber se aquela ‘gripe’ pode ser covid-19, a fim de evitarem contaminar outras pessoas. Será uma novidade poder fazer o próprio teste”, analisa o farmacêutico, mestre em Ciências Farmacêuticas e doutor em Medicina Interna, Cassyano Correr, fundador e CEO da Clinicarx.
Ainda segundo Correr, o autoteste é uma ferramenta poderosa para conter a disseminação do vírus especialmente quando há apoio ao paciente para que utilize o produto corretamente e consiga entender o resultado. O manuseio dos autotestes seguindo as instruções dos fabricantes deve ser acompanhado de uma campanha de orientação quanto ao uso dos dispositivos e, também, a aspectos como as condições de armazenamento, a observação das limitações da ferramenta e o intervalo de leitura, entre outros fatores.
A permissão para comercialização dessa ferramenta tem sido recebida de forma positiva.“Existe, sim, uma preocupação com a qualidade do resultado. Por isso, uma das expectativas é que a orientação sobre a utilização do produto possa ser feita pelo farmacêutico na farmácia e, também, utilizando a tecnologia como apoio ao paciente. Por meio da leitura de um QR Code na caixa do teste, será possível guiar o paciente pelo passo-a-passo da execução do teste e orientá-lo conforme o resultado observado, dando ainda opções para acesso remoto ao médico ou testes confirmatórios", avalia Correr.
No mercado norte-americano, o produto custa cerca de US$ 10, o que significa que pode chegar ao Brasil por um valor entre R$ 70 e R$ 100, considerando o câmbio e os impostos. Segundo o Ministério da Saúde, a previsão de distribuição deve atender prioritariamente os profissionais de saúde.  “Para que a realização dos autotestes não se torne um problema entre a população que poderá utilizá-lo, é importante observar que, além de tornar o produto acessível, será ainda mais importante conscientizar sobre uso e responsabilidade individual após um eventual resultado positivo” alerta o especialista.

Como funciona o autoteste de covid-19 usado em outros países
O funcionamento dos dispositivos segue um padrão, como explica o executivo da Clinicarx: “Em geral, o usuário coleta uma amostra de secreção de seu nariz ou boca com um cotonete e, na sequência, o coloca em um recipiente apropriado. Ali haverá componentes químicos que vão fazer a reação responsável por indicar ao aparelho se há ou não presença do vírus na amostra. Primeiramente, o aparelho informa se a mistura deu certo e pode ser utilizada – caso não seja, é preciso descartar e reiniciar o processo com uma unidade nova. O resultado costuma aparecer em até 10 minutos”.
Em termos técnicos, o autoteste tem eficácia de 85% quando utilizado corretamente. Assim como o teste de antígeno, realizado por profissionais, detectam partículas virais, o que significa que, para ter um resultado mais confiável, é preciso estar em um dia de carga viral alta. “Especialistas indicam que a melhor data para realização de qualquer teste está no 3º ou 4º dia após o contato com alguém sabidamente infectado. Assim, não adiantará usar o produto de forma apressada, logo que se encontrar com alguém doente. Além disso, se houver sintomas graves como dificuldade de respiração, febre alta, confusão mental ou sinais de desidratação, é preciso procurar imediatamente o atendimento médico”, indica Correr.
Por se tratar de algo novo no mercado brasileiro, a comercialização de autotestes ainda precisará de muita orientação e informação, principalmente por conta do perfil do usuário nacional. De qualquer forma, a chegada gera uma expectativa, fazendo com que o Brasil se some a países como EUA, Reino Unido, Portugal e Itália, onde o produto faz parte da estratégia de saúde pública.

Sobre a ClinicarX
A Clinicarx é uma healthtech (empresa de tecnologia em saúde), que atua na interface entre cuidados em saúde e o varejo farmacêutico. Desenvolve uma plataforma online de serviços de saúde para farmácias e consultórios que padroniza os processos de como implantar, atender e gerir serviços de saúde inovadores, tais como check ups e avaliações de saúde, vacinação, exames rápidos, prescrição farmacêutica e acompanhamento para pacientes com doenças crônicas, como hipertensão e diabetes. Também atua como um hub de conexões entre fornecedores, indústria, estabelecimentos, profissionais da saúde e pacientes, criando um ecossistema que beneficia a todos.
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